2 - ATUALIZADA - No encerramento do Lolla, plateia fica cansada no show do Strokes

ALEX KIDD, AMANDA NOGUEIRA, THALES DE MENEZES, DAIGO OLIVA E VICTORIA AZEVEDO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No segundo dia do festival Lollapaloooza, que acontece no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, neste final de semana, a principal atração da noite é a banda americana de indie The Strokes. Tem feito muito calor na capital paulista. Pessoas do Brasil inteiro e muitos estrangeiros também estão presentes.

O sistema de pulseira eletrônica, novidade do Lolla, tem confundido o público. Nesse sistema, cada pessoa troca seu ingresso impresso por uma pulseira, que funciona como uma espécie de comanda para comida e bebida, além de servir como a entrada para o festival. A confusão gira em torno do destino que terá o crédito que não for utilizado. Quem seguiu as recomendações da organização e conseguiu carregar a pulseira pelo site parece ter se dado melhor do que quem deixou para fazer o processo no local.

Confira crítica dos shows que acontecem no festival.

STROKES

"Tá todo mundo aí? A cerimônia vai começar. Acordem!" Já eram 20h42 quando o vocalista Julian Casablancas, aparentemente ébrio, avisou ao vasto público que esperava debaixo de garoa que os Strokes iam entrar em cena.

O quinteto americano entrou ao som de "The Modern Age", seguida por "Soma", num indicativo do que estava por vir: o repertório privilegiaria totalmente o primeiro disco, "Is This It" (2001), com nove das 17 canções do show, quase todas hits.

Mas houve espaço também para a produção mais recente (e menos empolgante) da banda. Canções como "Drag Queen" e "Threat of Joy", de forte pegada oitentista, não tiveram grande eco na plateia.

Conversando muito entre as canções, ora fazendo piadas sem graça, ora falando com o público, Casablancas não ajudou a manter o pique da apresentação. "No futuro, eu provavelmente deveria preparar coisas para dizer", comentou o vocalista a certa altura. De fato, Casablancas. Ater-se a cantar também pode funcionar.

Pequenos erros dos músicos e falhas técnicas de som também ajudaram a minar a qualidade do show, mas, para os fãs, a oportunidade de cantar junto sucessos como "Last Nite" e "Reptilia" pareceu compensar tudo. O fato de que ninguém pediu bis após a banda sair do palco sem falar nada, uma hora depois de entrar, mostra que a maioria ficou meio cansada do que viu, no entanto.

Lição: Strokes, ao menos em sua forma atual, funciona melhor nas pista do que ao vivo. Podem dar lugar a bandas mais interessantes e interessadas nas próximas escalações de festivais nacionais.

FLUME

Um pano preto cobria o palco Axe. Doze minutos depois do horário em que o show iria começar, flashes de luz revelaram a silhueta do DJ. Quando a cortina subiu, um show de luzes intenso e gritos (altíssimos) do público, predominantemente jovem. O DJ, produtor e músico australiano Harley Edward Streten, conhecido como Flume, lançou em 2012 seu primeiro trabalho, homônimo, que caiu nas graças da crítica. O artista (que veio ao Lolla em 2014) já fez remixes para canções de Lorde, Sam Smith, Arcade Fire e Disclosure, entre outros, e tem parcerias com Chet Faker e Tove Lo —a artista, inclusive, subiu ao palco para cantar ao lado dele. Seu segundo álbum, "Skin" (2016), lhe rendeu em 2017 o Grammy de melhor álbum de dance/eletrônica. O público não parou de dançar em nenhum momento e o clima de rave tomou conta do palco: jogo de luzes e projeções, jovens de óculos escuros e muita mão pro alto.

THE WEEKND

Com oito minutos de atraso, Abel Tesfaye, mais conhecido como The Weeknd, o "starboy" do momento, fez um dos melhores shows do Lolla. A receita do sucesso: canções dançantes que combinam hip hop com pop dançante.

"Starboy", a parceria com os robôs franceses do Daft Punk, abriu o show para uma pista lotada.

Com ajuda da pirotecnia do palco, Tesfaye destilava suas lamúrias em frente a um paredão de LED e jogos de luzes hipnotizantes. Um rápido flash da musa teen Selena Gomez ajudou no transe.

O espetáculo priorizou as faixas de "Starboy", seu último disco de estúdio, que contou com participações de Daft Punk e Lana Del Rey e que ganha peso graças à excelente banda de apoio.

Após uma performance enérgica da ótima "I Feel it Coming", Tesfaye encerrou com o hit "The Hills" um dos melhores shows do Lolla. Ao contrário de suas performances nervosas na TV, ao vivo, The Weeknd domina o público.

TWO DOOR CINEMA CLUB

Os irlandeses do Two Door Cinema Club são uma espécie de representação do que o público do Lollapalooza quer. Indie rock feito para as pistas, direcionado a gente muito jovem que não quer conhecer novidades, mas confirmar certezas. Quem vem ao Lolla quer, sobretudo, dançar. A banda então resume essas características. É dançante, com refrões cheios de "ôôôôô" e guitarras com levada disco. Da primeira à última música, a plateia cantou e pulou muito. "Cigarretes in the Theatre", "Something Good Can Work" e a canção que fechou a apresentação, "What You Know", todas do álbum de estreia, "Tourist History", fizeram os fãs derreterem. Até o ex-jogador de futebol Ronaldo estava no show e apareceu no telão do festival. No palco, um conjunto de sete telas com iluminação de Led fizeram um lindo espetáculo visual, diferentemente da maioria dos palcos espartanos do evento. Jogo ganho

DURAN DURAN

O repertório do Duran Duran é tão bom que não tem como errar. Nem quando os arranjos são um tanto vagabundos nem quando Simon Le Bon desafina,e ele desafinou um monte, principalmente no dueto com a brasileira Céu em "Ordinary World". Diante da plateia mais misturada do Lolla em faixas etárias, a banda mandou bem. John Taylor continua um tremendo baixista, e Nick Rhodes segue comandando tudo atrás dos teclados. O Duran Duran abusa de seu caminhão de hits, podendo até colocar um sucesso mundial como "Hungry Like a Wolf" logo na segunda música. Mas, como em turnês recentes, a banda insiste em tocar músicas mais recentes no final do show, o que dispersa o público, louco para ir ver Two Door Cinema Club no outro palco. Mas não dá para não se divertir num show que abre com "Wild Boys" e termina com "Rio".

Com cinco minutos de atraso, a cantora dinamarquesa começou o seu show no palco Axe. Comparada no início da carreira com a cantora canadense Grimes, ela ficou conhecida com a faixa "Lean On". Seu álbum de estreia, "No Mythologies to Follow "(2014), reúne sons do pop e da eletrônica -abusa dos sintetizadores. A apresentação, que começou pouco animada, foi esquentando conforme ela cantava suas músicas mais conhecidas, como "Kamikaze" e "Final Song". O público, que no começo só dançava, começou a cantar e a pular (sem parar). A cantora desceu do palco algumas vezes, chegando na grade para cumprimentar as pessoas. Ela terminou o show como o esperado: cantou seu hit "Lean On".

CHEMICAL SURF

O Chemical Surf formado pelos irmãos Lucas & Hugo Sanches esquentou a pista do palco Perry's e apostou em seu techno-house-pop. O duo caprichou nas linhas de baixo e sabia como criar um "building up" (o momento em que as batidas recuam para depois retornarem triunfantes). No repertório, apostaram num remix de "Magalenha", de Sérgio Mendes, e em "Ocean Drive", hit de Duke Dumont que virou um must have entre os DJs do festival.

JIMMI EAT WORLD

Desânimo da plateia marca o início da apresentação da banda de emocore Jimmy Eat World que, ao lado de outras bandas como The Get Up Kids e Dashboard Confessional, ajudou a estabelecer a mistura de hardcore e letras emotivas como o gênero que conhecemos hoje. Claramente a banda está deslocada em um palco tão grande. A primeira vez do Jimmy Eat World no país não precisava ocorrer dentro de um festival heterogêneo como o Lolla. Aliás, muito ruim a qualidade do som no show da banda norte-americana. Graves mal regulados, voz muito mais alto do que o restante dos instrumentos

CATFISH AND THE BOTTLEMEN

Os críticos que chamam a banda de "novo Oasis" são uns loucos. Está muito mais para ocupar o lugar do Vaccines. Rock rápido e rasteiro, sem espaço para outros rótulos. McCann é um dínamo no palco, não para um segundo. Corre e pula, enquanto seus colegas estão mais para uma pose cool, tranquilos. E banda tem a pose certa, as guitarras certas é uma empatia certeira com o público. A plateia cantou junto as dez músicas do ser, dos hits "Pacifier" e "Twice" a menos badaladas como "Anything". No momento mais rock de garagem deste Lolla, foi um show matador.

VANCE JOY

A conexão entre o cantor australiano e o público marcou a apresentação no palco Axe. Os fãs acompanharam Vance Joy não só com palmas, mas cantando quase todas as canções da apresentação com pegada folk. Faixas como "Mess Is Mine", "From Afar" e o hit "Reptide", já no final do show, garantiram a empolgação da plateia. Teve até espaço para um cover de Fleetwood Mac, da faixa "The Chain".

CÉU

A cantora paulistana focou em sua apresentação o elogiado álbum "Tropix" (2016), mas também cantou hits de discos anteriores, como "Malemolência". Considerado seu trabalho mais maduro, ele passeia por trip-hop, eletrônica e R&B, sem deixar de lado as influências latinas da artista. Com o álbum, ela ganhou os prêmios de artista do ano pela APCA (em 2016) e o de melhor disco pop em português no Grammy Latino. O público cantou e dançou (muito) ao som das batidas de Céu, que repetiu durante a apresentação "viva a música brasileira".