2 - Contra ataques, CET coloca até graxa em poste

FABRÍCIO LOBEL E PAULO GOMES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na região central de São Paulo, agentes de trânsito e equipes de manutenção de semáforos têm adotado "táticas de guerrilha" contra a disparada de furtos de cabos e circuitos de sinais de trânsito --em 2017, a elevação é de quase 30% em relação ao mesmo período do ano passado.

Na av. Rudge, próximo ao cruzamento com a rua Javaés (no Bom Retiro), um poste semafórico no canteiro central tem marcas de graxa. "Foi a CET", assume um agente da companhia. "Não é normal, foi uma medida de desespero porque não dava mais."

No topo do mesmo poste foi instalada uma pequena grade para evitar a escalada de criminosos. Nenhuma das medidas heterodoxas evitou que os cabos do poste fossem surrupiados.

Em outros locais do centro, equipes de manutenção têm retirado as peças de alumínio que envolvem placas dos circuitos que controlam os semáforos, na esperança de desestimular os furtos. A técnica também não tem surtido resultado.

Segundo dados da CET, a esquina que mais sofre com furtos é a da avenida Rio Branco com a rua dos Gusmões, na República.

Os agentes de trânsito com quem a reportagem conversou descartam a ação de uma quadrilha e acreditam que os responsáveis sejam carroceiros, dependentes químicos ou moradores de rua da área. "Vendem por merreca", afirma um agente.

O preço de compra do cobre nos ferros-velhos e centros de reciclagem na região é em média de R$ 11 por kg. Em um local a 600 metros da cracolândia, ele chega a R$ 8/kg.