2 - Delação ajuda em caso Cabral, diz procurador

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2 - Delação ajuda em caso Cabral, diz procurador

RIO DE JANEIRO, RJ , E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Coordenador da Operação Lava Jato no Rio, o procurador Eduardo El Hage, afirmou à reportagem na quinta (16) que a delação premiada do marqueteiro Renato Pereira abriria novas frentes de investigações sobre a gestão do ex-governador Sérgio Cabral.

Ele criticou a demora do STF (Supremo Tribunal Federal) em homologar as colaborações relacionadas ao Rio e a decisão do ministro Ricardo Lewandowski de devolver a delação de Pereira.

O marqueteiro acusou Cabral e o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, ambos do PMDB, de participar do direcionamento de licitações de contratos de publicidade. Ele também menciona o atual governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que em razão do foro privilegiado seria investigado pela PGR (Procuradoria-Geral da República)

El Hage diz que as informações de Pereira podem "abrir uma frente enorme na área de comunicação social" do governo Cabral. "Era uma secretaria que nós não tínhamos nos aprofundado por falta de provas", afirmou.

O coordenador da Lava Jato fluminense diz esperar que o STF considere o entendimento firmado pelo plenário, "não o posicionamento isolado de um ministro".

Ao analisar os benefícios a executivos da JBS, o plenário do Supremo decidiu que os acordos negociados com delatores pela PGR devem ser mantidos até o fim de eventual processo decorrente da colaboração.

Lewandowski devolveu a delação do marqueteiro, questionando justamente os critérios para estabelecer o limite de pena. Na mesma decisão, o ministro retirou o sigilo do caso.

RECURSO

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recorreu da decisão na quarta (15). Ela pede que Lewandowski reconsidere, argumentando que o "condenável" vazamento à imprensa, "fruto de interesses espúrios", pôs em risco a segurança do delator e de sua família.

Para Dodge, a Justiça tem o dever de "minimizar dados e riscos decorrentes do crime de vazamento e não elevar seus efeitos" ao tornar o material integralmente público.

"Com efeito, em que pese o vazamento, nem tudo foi divulgado", prossegue Dodge. "Ante tal premissa, não há motivo, portanto, para a divulgação oficial de tudo que consta nos autos."

A PGR diz que o fim do sigilo compromete "o bom êxito das investigações" e viola a Lei 12.850, "que estabelece o acordo [de delação] como meio de coibir o crime organizado e os graves crimes que pratica".

Dodge destaca que a decisão de Lewandowski deixa clara, "com toda razão, indignação e repulsa ao criminoso vazamento", e afirma que o Ministério Público Federal vai investigar o vazamento.