2 - Delator diz que assessor da Presidência recebeu R$ 2 mi em 2014

2 - Delator diz que assessor da Presidência recebeu R$ 2 mi em 2014

LETÍCIA CASADO, BELA MEGALE E CAMILA MATTOSO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O delator da Odebrecht João Pacífico afirmou em depoimento que Tadeu Filippelli (PMDB), atual assessor especial da Presidência da República, recebeu R$ 2 milhões em 2014 para favorecer obra da empreiteira.

Filippelli foi vice-governador do Distrito Federal entre 2010 e 2014 do governo de Agnelo Queiroz (PT). Eles concorreram à reeleição em 2014, mas foram derrotados.

O peemedebista é do grupo político do presidente Michel Temer na ala que comanda o PMDB.

O ex-executivo da empreiteira relatou à Procuradoria-Geral da República "pagamento de propina ao governador Agnelo Queiroz e vice-governador Tadeu Filippelli".

Seriam, segundo ele, uma contrapartida a interesses da empreiteira nas obras do Centrad (Centro Administrativo do Distrito Federal).

Outro delator da Odebrecht, Ricardo Roth, tratou sobre a campanha de Filippeli e Agnelo ao governo do DF em 2010.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), remeteu os pedidos de investigação à procuradoria do Distrito Federal.

Pacífico apresentou anexo intitulado "Pagamento de propina ao governador Agnelo Queiroz e vice-governador Tadeu Filippelli - 2014".

O documento contém o que seria o registro do pagamento no sistema de propinas da Odebrecht em 17 de fevereiro de 2014 no valor de R$ 2 milhões. Filippelli aparece como "beneficiário".

"Diante da proximidade das eleições de 2014, condicionamos o pagamento dos valores ilícitos (...) para pressionar o governo do Distrito Federal a se empenhar no cumprimento de suas obrigações perante a Centrad", disse Pacífico.

Ele entregou aos procuradores três tabelas que se referem às etapas contratuais a serem cumpridas e os valores da propina. Duas dessas se referem aos valores que seriam pagos ao governador e ao vice.

Segundo Pacífico, os pagamentos foram feitos a um interlocutor dos políticos em cafés e restaurantes. O codinome dessas operações era "Comprido" ou "Cumprido".

Pacífico disse que teve reuniões com Filippelli no Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, na residência oficial e em restaurantes de Brasília para tratar do contrato do Centrad.

"Nesses encontros, embora eu não tenha tratado abertamente com o vice-governador sobre o pagamento da propina, ficava evidente, para mim, que ele tinha total conhecimento do acerto e das etapas previstas nas tabelas, tendo demonstrado claramente o seu interesse no cumprimento", disse.

Ele afirmou que não se encontrou com Agnelo Queiroz para tratar do assunto. Mas, segundo o delator, Agnelo "tinha ciência do acerto, não havendo dúvidas de que ele foi beneficiário do ajuste ilícito".

Segundo Ricardo Roth, da Odebrecht, Tadeu Filippelli participou de reunião para negociar apoio da empreiteira nas eleições de 2010. Ele disse que a Odebrecht repassou R$ 1 milhão à chapa via caixa dois. De acordo com Roth, o montante foi pago "em cinco ou seis parcelas".

OUTRO LADO

Por meio de um vídeo, Filippelli se defendeu das acusações. "A mídia veiculou a delação de um executivo de uma grande empreiteira envolvendo meu nome. Ainda não tenho conhecimento de tudo o que foi declarado", diz o peemedebista.

Segundo ele, não há menção a propina em seu nome. "Mas o delator afirma expressamente que em nenhum momento tratou comigo sobre pagamento de propina. E não tratou mesmo."

"Tenho trinta anos de vida pública. Nunca tive uma condenação sequer em tribunais. Não tenho nada a esconder e nada a temer. Entendo que a Lava Jato tem sido importante instrumento para mudar a história de nosso país", afirmou.

A defesa de Agnelo Queiroz afirmou: "Enquanto não se tem conhecimento sobre o inteiro teor das investigações, é impossível emitir qualquer comentário sobre o que somente a imprensa noticia. Não obstante, o ex-governador Agnelo reafirma que em suas campanhas eleitorais, como na sua gestão no GDF [Governo do Distrito Federal], não praticou qualquer ilegalidade e jamais autorizou quem quer que seja a obter vantagens ou contribuições ilícitas em seu nome".