2 - Delator vincula doação a Instituto Lula ao calendário eleitoral

WÁLTER NUNES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Alexandrino Alencar, disse em sua delação premiada que as doações feitas pela empreiteira ao Instituto Lula eram influenciadas pelo calendário eleitoral. Alencar era o elo com Lula dentro do grupo empresarial baiano.

O delator foi confrontado pelos procuradores da Lava Jato com uma tabela que mostrava que as doações da empreiteira cresciam conforme o passar dos anos e perguntaram o motivo dessa evolução. Em 2011, segundo o procurador, a Odebrecht doou R$ 515 mil ao instituto. Em 2013 esse valor praticamente dobrou, para R$ 1,150 milhão. E novamente dobrou em 2014, quando o repasse foi de R$ 3 milhões.

"Não é que eram crescentes, eu vou explicar porquê. A de 2014, que tem R$ 3 milhões, é porque era um ano eleitoral, então achamos que podíamos dar um valor um pouco maior em função do cenário eleitoral. Não sei quando poderíamos dar de novo para não termos nenhuma surpresa para o instituto durante o ano de 2014."

O procurador rebateu a resposta argumentando que o Instituto é uma instituição civil sem fins eleitorais, portanto. Alencar voltou a afirmar que a doação obedecia uma lógica de campanha.

"É uma instituição civil dentro de um cenário político. Não dá para separar uma coisa de outra. Então foi dado uma doação um pouco maior visando um período maior. Digamos, se eu tivesse que dar uma outra doação seria talvez só em 2016." E reafirmou. "A gente deu um valor maior por ser um período eleitoral."

O pedido e a justificativa do calendário eleitoral, segundo Alencar, teriam vindo do próprio Instituto Lula. "Nos solicitaram isso e assim foi feito." Perguntado sobre quem teria feito a solicitação, Alencar disse ser Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula. "Ele pediu uma doação mais expressiva para passar essa época eleitoral."

Alencar também disse aos investigadores que os recursos repassados ao instituto saiam da conta "amigo", uma contabilidade administrada pelo próprio Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo baiano. "Ele controlava essa conta, só ele tinha essa conta. Diretamente essa conta. E ele negociava diretamente com o ministro Palocci."