2 - Membros da CPI da JBS se acusam de 'vira-lata' e 'bate-pau de Temer'

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3 - ATUALIZADA - Aliado de Janot falou que Temer cairia, diz procurador

CAMILA MATTOSO E ANGELA BOLDRINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - "Vira-lata", gritava de um lado o deputado Carlos Marun (PMDB-MS). "Lambe botas, bate pau de Temer", retrucava do outro o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A troca de acusação fez com que a sessão da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da JBS desta terça-feira (17) fosse interrompida por alguns minutos, durante depoimento do procurador Ângelo Goulart Villela.

A confusão começou quando Randolfe questionava o depoente a respeito de um áudio de conversa gravada por ele em uma reunião do Ministério Público Federal, o que lhe rendeu a acusação de vazar informações internas para favorecer a JBS.

Villela afirmou que nem sua defesa tinha o áudio e foi interpelado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que disse a ele que pedisse o áudio para o senador, que ele o teria.

"Não entendi a provocação barata", afirmou o senador, que logo em seguida acusou o PT e PMDB de formarem uma "coalizão" e citou o relator Marun.

"É uma coalizão do PT e do PMDB, o sr. e o deputado Marun estão muito próximos".

Marun, da mesa, logo se irritou e pediu que seu nome não fosse citado. A confusão, então, começou.

"Vira-lata! Vira-lata!", gritava Marun, um dos principais aliados de Temer e relator da comissão.

"Lambe botas, bate pau do Temer!", respondia aos berros o senador, enquanto o presidente do colegiado, senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) pedia calma e dizia que iria suspender a sessão.

O depoimento de Vilella começou por volta de 10h30. Aos parlamentares, o procurador afirmou que a delação da JBS foi feita por Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República, com o objetivo de derrubar o presidente Michel Temer e poder, então, indicar seu próprio sucessor.

Vilella ficou preso por 76 dias sem ter sido ouvido. Ele foi denunciado por corrupção passiva, violação de sigilo funcional e obstrução de Justiça.