Opositores e aliados de Maduro medem forças lado a lado em Caracas

DIEGO ZERBATO, ENVIADO ESPECIAL

CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - A oposição e os aliados do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, medem forças nas ruas de Caracas nesta terça-feira (4) em protestos que têm como destino o mesmo lugar: a Assembleia Nacional.

O ato da oposição foi convocado primeiro, durante a manifestação de sábado (1º) contra a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que tirava poderes do Legislativo, dominado pela oposição.

A intenção é ir da praça Venezuela, no leste de Caracas, à sede da Assembleia Nacional, onde os parlamentares votarão à tarde uma declaração para expulsar os magistrados do TSJ envolvidos na sentença, derrubada no sábado (1º).

Nesta segunda-feira (3), porém, Adán Chávez, ministro da Cultura e irmão mais novo de Hugo Chávez (1954-2013), chamou os governistas às ruas da capital. Saindo da praça Baralt, a 1,6 km da praça Venezuela, a intenção é também chegar ao prédio do Legislativo.

Considerando atos anteriores, os opositores dificilmente conseguirão avançar em direção ao centro. No sábado (1º), eles foram impedidos de chegar à Defensoria do Povo pela polícia, que atirou bombas de gás lacrimogêneo.

As forças de segurança do governo chavista também impediram o acesso à região central em duas situações: em um protesto por eleições regionais em direção ao Conselho Nacional Eleitoral em janeiro e, no mês anterior, em outro ato contra o TSJ.

INTERNET

Os dois lados usaram principalmente a internet na campanha, mas fora da rede as estratégias foram diferentes. Os integrantes da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática foram a shoppings da área nobre de Caracas no domingo (2) e a avenidas da mesma região nesta segunda-feira (3).

No último caso, porém, dois parlamentares foram agredidos por coletivos (militantes armados chavistas) enquanto faziam sua campanha. Juan Requesens precisou levar pontos após levar socos, e José Brito quebrou uma de suas costelas.

A estratégia chavista foi usar seus quatro canais estatais para convocar seus seguidores. Desde a noite desta segunda (3), pouco após a convocação de Adán Chávez, começaram as propagandas nos intervalos dos programas de TV, onde também havia convocação.

Desde o início da manhã, além da crítica à manobra da OEA para abrir caminho à suspensão de Caracas por rompimento da Carta Democrática Interamericana, os apresentadores mencionavam o protesto e haviam boletins mostrando cenas da praça Morelos.

FERROLHO

Assim como em todos os dias de manifestações da oposição, Caracas amanheceu com diversos bloqueios nas ruas e com estações do metrô fechadas na região central -onde ficam a Assembleia Nacional, o Tribunal Supremo de Justiça e o Palácio de Miraflores (sede do governo)- e da zona leste, reduto da oposição.

O trânsito já complicado da capital ficou mais intenso, enquanto os ônibus levavam passageiros com as portas abertas. A Guarda Nacional bloqueou desde a madrugada o acesso de veículos à praça Venezuela, cenário do protesto opositor, assim como houve bloqueios nas estradas rumo à cidade.

A imprensa não ligada ao governo afirma que os atos devem ser menores que os de sábado, apesar da decisão da OEA favorável à oposição. Por outro lado, a forma turbulenta como foi feita a declaração da organização é o trunfo dos chavistas para seu ato.