Prefeitura de SP vai distribuir senhas nas casas para vacina da febre amarela

Denny Cesare/Código19/Futura Press

FERNANDA PEREIRA NEVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após longas filas e até brigas pela vacina contra a febre amarela, a Prefeitura de São Paulo vai passar a distribuir senhas nas casas dos paulistanos para garantir a imunização. A medida começa já nesta quinta-feira (25), quando se inicia a segunda fase da campanha, agora com doses fracionadas da vacina.

A prefeitura havia anunciado para sexta (26) o início dessa nova fase, por conta do feriado de aniversário da cidade, mas mudou o cronograma. Agora, os 16 distritos das zonas sul e leste cobertos nessa etapa receberão as doses junto às outras 54 cidades do Estado inclusas na campanha emergencial, já no dia 25.

Segundo o secretário Wilson Pollara, a distribuição de senhas nas casas tem o objetivo de reduzir as filas e acalmar a população. Para isso, serão mobilizados agentes de saúde, associações de bairro e conselhos municipais. Diariamente, a secretaria disponibilizará em seu site a relação de ruas que receberão as senhas.

Um único morador poderá pegar as senhas de toda a família. Elas terão validade de um ou dois dias, além do nome da UBS onde será aplicada a dose e, quando possível, o período (manhã ou tarde). Com isso, a distribuição deverá começar já nesta terça-feira (23).

Caso a pessoa perca o dia determinado na senha ou não esteja em casa na hora em que passar o agente de saúde, poderá procurar a UBS mais próxima, onde será checado se a campanha passou na sua rua e a vacina poderá ser aplicada normalmente.

A senha não será necessária nas UBSs destinadas ao atendimento de viajantes. Segundo a prefeitura, serão 17 unidades que aplicarão a dose fracionada no caso de viagem a outras regiões do país onde há recomendação de imunização e a dose padrão no caso de pessoas com viagem marcada para países com a exigência.

Num primeiro momento não será exigido comprovação de quantidade de moradores nas casas ou de documento que comprove a viagem, mas o secretário afirma que a estratégia poderá mudar caso se verifique algum indício de fraude.

CINCO FASES

A campanha de vacinação na capital paulista será dividida em cinco fase e deverá ser concluída no final de maio. Segundo o secretário Pollara, se for mantida a promessa do governo federal de envio de cerca de 2 milhões de vacina por mês, a cidade deverá estar toda imunizada até o final de maio.

A primeira fase, restrita à zona norte da capital e parte da zona oeste, começou em setembro de 2017 e já imunizou 1.829.155 pessoas. Após meses disponibilizando as doses em todas as UBSs da região, a partir de quinta, a prefeitura vai restringir para apenas duas a aplicação da vacina, até alcançar a meta de vacinar 2,4 milhões de vacinas aplicadas na zona norte -não será exigido senha nesses casos.

Simultaneamente, começa dia 25 a segunda fase, que atenderá 16 distritos das zonas leste e sul até o dia 24 de fevereiro. Os distritos serão: Cidade Líder, Guaianases, Iguatemi, José Bonifácio, Parque do Carmo, São Mateus e São Rafael (na zona leste), além de Capão Redondo, Cidade Dutra, Grajaú, Jd. Sçao Luís, Pedreira, Socorro, Capela do Socorro e Vila Andrade (na zona sul).

A partir dessa fase, serão aplicadas doses fracionadas (0,1 ml) da vacina -a dose padrão tem 0,5 ml. Apenas crianças crianças de 9 meses a 2 anos incompletos, grávidas residentes de áreas de risco e pessoas com condições especiais -caso de portadores de HIV e pacientes que terminaram a quimioterapia- continuarão a receber a dose padrão. A justificativa é a ausência de estudos que mostrem a eficácia nestes grupos.

As vacinas fracionadas têm o mesmo efeito da padrão, mas menor tempo de duração. Enquanto a dose padrão vale para a vida toda, a fracionada deverá ser reforçada em oito anos, segundo estudos apontados pelo Ministério da Saúde.

As próximas fases da campanha também deverão ser de doses fracionadas e contar com a distribuição de senhas nas casas. A fase 3, destinada as zonas leste e sudeste, será em março; a fase 4, destinada ao centro e a parte das zonas oeste e sul, será em abril; e a fase 5, destinada ao sudoeste da capital, será em maio.

"A única limitação que podemos encontrar é a disponibilização da vacina", afirmou o secretário Pollara. Segundo ele, a expectativa é ter toda a cidade imunizada até o final de maio.

CAMPANHA EMERGENCIAL

Ao todo, serão encaminhadas ao Estado de São Paulo 6,3 milhões de doses fracionadas e 2 milhões da padrão por conta da campanha emergencial que será iniciada na quinta. Desde o início de 2017, o Estado já registrou 81 casos da doença, sendo que 36 evoluíram a óbito.

No último dia 16, a OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu todo o Estado no mapa de risco de febre amarela e recomendou a vacinação de viajantes internacionais com destino a qualquer município paulista, seja em área urbana ou de mata.

Além de São Paulo, o Estado do Rio de Janeiro também antecipou para esta quinta a campanha emergencial de vacinação contra a febre amarela. O Estado deverá imunizar 7,7 milhões de pessoas com as doses fracionadas e outras 2,4 milhões com a padrão, em 15 municípios.

Apenas a Bahia manterá a campanha entre 19 de fevereiro e 9 de março em oito cidades, incluindo Salvador.