2 - Sem corredor, SP copia pela 'metade' o modelo de Seul

ALENCAR IZIDORO, ENVIADO ESPECIAL

SEUL, COREIA DO SUL (FOLHAPRESS) - Apesar da intenção de copiar a tecnologia para controle dos ônibus, a gestão João Doria (PSDB) evita se comprometer com uma ação que ajuda a explicar boa parte do êxito da experiência coreana: a construção em larga escala de corredores exclusivos para transporte coletivo.

Segundo técnicos de mobilidade de Seul, a reformulação feita a partir de 2003 e que deu credibilidade mundial ao sistema de ônibus da cidade foi bastante influenciada pela construção de BRTs, pistas exclusivas modernas e posicionadas do lado esquerdo das vias para atenuar as interferências.

Na época, havia só 13 km desses corredores, que passaram para 132 km.

"O investimento tecnológico é um grande atrativo ao usuário. Mas, sem rede de infraestrutura, não faz milagre", diz Eleonora Pazos, coordenadora da UITP (União Internacional de Transporte Público) na América Latina.

Na capital paulista, a expansão de corredores de ônibus modernos, como BRTs, está emperrada há mais de uma década. Haddad prometeu 150 km, mas acabou dando sequência a menos de um terço disso e priorizou as faixas de ônibus, tidas como paliativas.

Doria tem dito que fará corredores, já batizou esse sistema de Rapidão, mas sem fixar nenhum compromisso prático. O próprio plano de metas não traz nenhuma extensão das pistas planejadas.

A ideia da gestão tucana é que os corredores atuais passem por mudanças para que tenham um sistema de pré-embarque, de forma que os usuários paguem a passagem ou usem seu Bilhete Único no ponto, e não dentro do veículo - em mais uma opção para retirar aos poucos os cobradores.