Mais de 200 pessoas mortas em quatro dias de violência no Iraque

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O enviado da ONU ao Iraque, Martin Kobler, fez um apelo para que o país retorne à calma, após a mais recente onda de violência relacionada a protestos contra o governo, que causou mais de 200 mortes em quatro dias e que continuou nesta sexta-feira com vários atentados contra mesquitas sunitas.

"Faço um apelo à consciência de todos os líderes políticos e religiosos para que não permitam que a ira vença a paz e para que tenham sabedoria, porque o país está em uma encruzilhada", declarou Kobler em um comunicado.

No total, mais de 200 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas desde terça-feira no Iraque, muitas delas em confrontos entre as forças de segurança e sunitas.

Nesta sexta-feira, quatro pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas em atentados contra mesquitas sunitas de Bagdá e seus arredores, no quarto dia de uma onda de violência, informaram fontes médicas e o Ministério do Interior. Al´me disso, uma moto-bomba explodiu no bairro xiita de Sadr City, em Bagdá, matando pelo menos cinco pessoas.

Os atentados foram cometidos depois da oração semanal de sexta-feira.

O ataque mais grave ocorreu na mesquita Al-Kubaisi, no sul de Bagdá, e matou quatro pessoas, além de ter deixado 36 feridos.

No norte da capital, duas bombas deixaram pelo menos 11 feridos perto das mesquitas Al-Shahid Yusef e Malikal Asht. Outra bomba feriu três pessoas perto da mesquita de Al-Razaq.

Paralelamente, as forças de segurança iraquianas retomaram nesta sexta-feira o controle da cidade de Suleiman Bek, tomada na quarta por homens armados que aceitaram deixar o local.

Os homens armados deixaram a cidade, na província de Salahedin, depois de um acordo com a mediação de chefes tribais e de autoridades do governo, anunciaram Shalal Abdul Baban, funcionário da administração local, e Ahmed Aziz, diretor adjunto do conselho municipal de Suleiman Bek.

Grupos armados assumiram o controle da cidade de maioria turcomana sunita na quarta-feira, depois de combates com as forças de segurança.

De acordo com o general Ali Ghaidan Majid, 175 homens invadiram Suleiman Bek: 25 supostos membros da Al-Qaeda e 150 do "Exército de Naqchbandis", um grupo rebelde que faz oposição violenta ao governo e com atuação na região de Kirkuk. O grupo tem entre seus integrantes ex-oficiais do exército de Saddam Hussein.

O Exército anunciou que uma operação na terça-feira em Huweijah, epicentro da onda de violência, tinha como alvo o Exército de Naqchbandis.

Nesta sexta, sete homens morreram em confrontos com as forças oficiais em Kirkuk (norte).

A violência começou na terça-feira em Huweijah (norte), quando a polícia interveio em uma manifestação de sunitas, que protestavam contra o primeiro-ministro Nuri al-Maliki. A confusão desencadeou os confrontos entre manifestantes e oficiais, seguidos por ataques de represália contra as forças de segurança em várias regiões.

Um porta-voz do movimento de contestação de Huweijah, defendeu uma aliança com "o Exército de Naqchabandis" para "eliminar do Iraque as milícias safávidas", termo pejorativo para designar os xiitas.

Durante a oração de sexta em Ramadi, a oeste de Bagdá, o imã sunita Hamed al-Kubeissi pediu que cada tribo forneça 100 homens para formar um "exército" de defesa dos sunitas, diante de vários manifestantes opositores a Maliki.

Cerca de sessenta homens, armados de kalachnikovs e lança-foguetes, atenderam ao chamado, constatou um jornalista da AFP.

"Estou aqui para defender os sunitas", declarou Omar al-Hadithi, de 24 anos. "Estou preparado para lutar, não importa onde".

Manifestantes sunitas exigem a renúncia de Maliki, um xiita acusado de acumular poderes e marginalizar os sunitas.

Abdelghafur al-Samarrai e Saleh al-Haidari, dois líderes religiosos que comandam fundações sunita e xiita, respectivamente, advertiram para um conflito religioso e pediram aos partidos políticos que acabem com a violência.

O Iraque foi assolado por uma onda de violência religiosa entre 2006 e 2007, que deixou milhares de mortos após um atentado contra um local sagrado xiita em Samarra.

Mas "esta é a crise mais profunda e a mais perigosa (...) desde 1921", data da criação do Estado iraquiano, considerou Muaffaq al-Rubaie, ex-conselheiro de segurança nacional. Para ele, a situação atual "pode desencadear um conflito confessional e, depois, levar a um divisão".

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