Em 2020, um 1º de maio virtual por causa do novo coronavírus

Por Joëlle GARRUS con las oficinas de la AFP en el mundo
Um cartaz em Estrasburgo, no leste da França,em 1º de maio de 2020

Diante da ausência das tradicionais manifestações neste 1º de maio de 2020, em meio aos confinamentos por causa do novo coronavírus, os trabalhadores em todo o mundo foram convocados a comemorar o dia, feriado em muitos países, com "manifestações virtuais" nas redes sociais ou com cartazes em suas janelas.

A maioria dos países renunciaram às concentrações por causa do Dia do Trabalho, em um contexto em que metade da humanidade está confinada para combater a pandemia da COVID-19 que já causou mais de 235.000 mortes no mundo.

Em Cuba, bandeiras do país surgiram nas varandas e nas fachadas dos prédios, mas a multidão que costuma se reunir na Praça da Revolução, em Havana, dessa vez ficou em casa.

Sob chuva, a emblemática praça, que tem como pano de fundo os rostos dos guerrilheiros Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos, estava deserta. Todos os anos passam por ali cerca de um milhão de pessoas por causa dessa data, segundo números oficiais.

- Comemoração 'diferente' -

"Esse 1º de maio é diferente de qualquer outro", resumiu o presidente francês, Emmanuel Macron.

Pela primeira vez desde a proibição das manifestações durante as guerras da Indonésia e da Argélia nos anos 1950 e 1960, não houve pessoas reunidas na França, como forma de evitar a propagação da COVID-19.

O mesmo aconteceu em outros países.

Os sindicatos convidaram os trabalhadores a mobilizar-se de outra forma: conferências ou shows sem público por meio da internet ou da publicação de fotos como forma de protesto nas redes sociais.

Este dia internacional, que tem como origem a luta do movimento operário do final do século XIX, é mais atual do que nunca, segundo eles: a epidemia evidenciou o papel essencial de algumas profissões até agora pouco valorizadas - seja na saúde, no comércio ou na limpeza - e contribuiu para o aumento das tensões sociais.

A pandemia atinge fortemente a economia, com a suspensão das atividades da indústria, comércio e serviços, além de aumentar o número de desempregados em todo o mundo.

No entanto, muitos em diferentes lugares optaram por não ficar em casa.

A polícia turca prendeu nesta sexta-feira vários líderes sindicais que desfilavam por Istambul apesar da proibição para sair.

Nas Filipinas, pequenos grupos desafiaram igualmente a ordem para pedir ajuda pública e melhores condições trabalhistas. A polícia anunciou a prisão de ao menos três pessoas.

Na Grécia, onde o governo pediu o adiamento de qualquer manifestação até 9 de maio, o sindicato PAME, afiliado aos comunistas, organizou uma concentração em frente ao Parlamento, muito organizada e ao som de músicas como "Bella Ciao".

Na Alemanha, um grande número de forças de segurança - 5.000 em Berlim - foi mobilizado para vigiar se a proibição para a ocorrência de manifestações com mais de 20 pessoas seria respeitada.

No norte da Espanha, onde a pandemia deixou quase 25.000 mortos, a cidade de Zaragoza teve um desfile organizado pelo sindicato Intersindical de Aragón no qual trabalhadores andariam cada um em seus carros, com máscaras e luvas, com cartazes colados nos veículos, segundo imagens das emissoras locais.

Para tal, a Justiça espanhola autorizou na última quinta as concentrações "in extremis", com a condição de limitar o número de carros a 60, com apenas um participante por carro. Motos estavam proibidas.

Na América do Sul, por sua vez, 57 manifestantes foram presos em Santiago por policiais que dispersaram um protesto que descumpria a proibição de aglomerações com mais de 50 pessoas no Chile.

Na Guatemala, cerca de 100 pessoas de organizações sociais marcharam pelas ruas da capital para exigir melhores condições de trabalho e pedir mais proteção para os profissionais da saúde que atuam no combate ao coronavírus.

Já no Uruguai, caravanas de veículos percorreram pontos distintos no país, a partir da convocação de uma central sindical para comemorar a data.

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