Mais de 230.000 peruanos dão entrada em fundos de pensão por COVID-19

Por Luis Jaime CISNEROS
Homem aguarda informações em frente à administradora de fundos de pensão, a Profuturo, em Lima

Mais de 230.000 peruanos deram entrada nas últimas 24 horas no processo para retirar até US$ 3.700 dos seus fundos de pensão em decorrência da crise do novo coronavírus. Nesta terça-feira (19), clientes reclamaram enfrentar agências lotadas, correndo o risco de contaminação.

A inscrição virtual, iniciada na segunda, é o primeiro passo para a retirada do dinheiro, de acordo com uma lei que beneficia mais de seis milhões de trabalhadores, em um país que está em confinamento em vigor desde 16 de março.

No entanto, muitos solicitantes não têm acesso à internet ou não conseguiram preencher o formulário.

Por isso, à beira do desespero, foram aos escritórios e agências das administradoras desses fundos de pensão nesta terça, com medo de não conseguir retirar parte de suas economias.

Em Lima, na tentativa de se inscrever, dezenas de clientes procuraram as agências de dois administradores, Profuturo e Prima, observou um jornalista da AFP. O esforço, no entanto, foi em vão.

"Ligamos para essa instituição mais de 40 vezes para que ela possa nos dar informações, e não conseguimos nada até agora", contou à AFP Herminio Llamoza, um trabalhador de 64 anos que passou horas esperando receber alguma ajuda.

"Eu preciso do dinheiro, sou de Cusco e não tenho mais nada", explicou Julia Manalí, de60 anos.

"Gostaria de ir a Cusco agora, mas nem tenho dinheiro para comer", acrescentou.

Os pagamentos não serão imediatos, mas estão agendados para começar no final de maio em duas datas, com um mês de intervalo dos bancos.

O registro é feito apenas de forma virtual, com base em um cronograma que deve ser colocado em prática até o próximo 18 de julho.

As autoridades estimam que o valor global a ser retirado seria de cerca de 8 bilhões de dólares.

"Em 18 de maio, mais de 231.000 afiliados entraram com o pedido para a retirada de 25% dos seus fundos", anunciou a Associação de Administradores de Fundos de Pensão nesta terça, em sua conta no Twitter.

No Peru, operam quatro administradores: Integra, Habitat, Prima e Profuturo. De acordo com um estudo realizado pela Ipsos, um em cada quatro peruanos está sem renda devido à pandemia.