Com 27.878 mortos, Brasil já é quinto país com mais óbitos por COVID-19

Por Jordi MIRO
1 / 2
Coveiros com roupas especiais sepultam vítima da COVID-19 no cemitério São Francisco Xavier no Rio de Janeiro, 29 de maio de 2020

Com 1.124 novos óbitos nas últimas 24 horas, o Brasil superou a Espanha e se tornou nesta sexta-feira (29) o quinto país com mais mortos pelo coronavírus, totalizando 27.878 falecimentos, informou o Ministério da Saúde.

O país, onde a pandemia está em plena ascensão, registrou ainda um recorde diário de 26.928 novos casos de COVID-19 nas últimas 24 horas, elevando o total de contágios a 465.166.

O número de falecimentos excede o da Espanha, onde a curva de óbitos registra um rápido declínio, com um total de 27.121 vítimas fatais até esta sexta. E em breve poderá exceder o da França, que totaliza 28.714 falecidos, segundo contagem mais recente da AFP.

O Brasil também é o segundo país no número de casos confirmados, embora longe dos quase dois milhões de Estados Unidos, também o líder no número de mortes (mais de 102.000 na quinta-feira).

O segundo país com mais falecimentos é o Reino Unido (38.861) e o terceiro é a Itália (33.229).

Calculado por milhão de habitantes, o número para o Brasil não parece tão chocante: o coeficiente é de 131,2 mortes por milhão de habitantes, comparado a mais de 300 nos Estados Unidos e 580 na Espanha.

Mas a epidemia está longe de atingir seu auge - em uma data que o Ministério da Saúde diz "não há como prever" - e, de acordo com certas estimativas, os casos de contágio podem ser até quinze vezes maiores, já que no Brasil não se praticam testes maciços.

Os dois estados com o maior número de mortos e casos são São Paulo e Rio de Janeiro. Mas os mais afetados em relação à sua população ficam nas empobrecidas regiões norte e nordeste, onde os sistemas de saúde estão à beira do colapso.

- Rejeição crescente contra Bolsonaro -

A COVID-19 avança no Brasil em meio a um clima de enfrentamento entre os governadores e prefeitos, que aplicaram quarentenas parciais, e o presidente Jair Bolsonaro, que as considera uma ruína econômica.

Apesar de a pandemia estar em plena ascensão, vários estados, especialmente os menos afetados do sul e do sudeste, começaram a flexibilizar as medidas de distanciamento social.

O governador de São Paulo, João Doria, prorrogou esta semana a quarentena até 15 de junho, embora tenha permitido a reabertura gradual de algumas atividades econômicas.

O ceticismo e a campanha contra a quarentena do presidente, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da comunidade científica internacional, está provocando um crescente repúdio ao chefe do Executivo.

Segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada na sexta, a avaliação negativa sobre a forma como Bolsonaro enfrenta a crise sanitária, subiu de 45% em abril para 50% em maio, enquanto apenas 27% a aprovem.

- Aviso do PIB -

O PIB do país encolheu 1,5% no primeiro trimestre de 2020 com relação ao trimestre anterior, segundo dados divulgados nesta sexta e que mostram o impacto inicial das medidas de quarentena adotadas desde meados de março.

Os efeitos da pandemia devem se fazer sentir com toda a força no segundo trimestre, com estimativas de uma queda superior a 10%.

"Aconteceu no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países afetados pela pandemia, que foi o recuo nos serviços direcionados às famílias, devido ao fechamento dos estabelecimentos. Bens duráveis, veículos, vestuário, salões de beleza, academias, hotelaria, alimentação sofreram bastante com o isolamento social", explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.