Só 3 em 10 moradores sabem dizer quem é o novo prefeito de SP

Renato S. Cerqueira/Futura Press

Apenas três em cada dez moradores de São Paulo sabem dizer quem é o atual prefeito da cidade, segundo levantamento do Datafolha.

Bruno Covas (PSDB) foi vice-prefeito de janeiro de 2017 até 6 de abril deste ano, quando assumiu o principal posto do Executivo paulistano após João Doria (PSDB) renunciar ao cargo para participar das eleições para o governo do estado.

Protagonista de carreira discreta como deputado estadual e federal e secretário paulista do Meio Ambiente, o neto do ex-governador Mario Covas foi identificado corretamente por um terço dos entrevistados em pesquisa realizada na semana passada. Os demais (70%) disseram não saber informar quem comanda a cidade (62%) ou deram respostas equivocadas (2% responderam “João Doria”, por exemplo).

A pesquisa perguntou aos entrevistados quem é o prefeito de São Paulo, sem apresentar opções. Do total, 25% responderam o nome do prefeito, enquanto outros se referiram a ele por meio de alcunhas como “Covas” (2%) ou “neto do Covas” (3%).

Covas é mais conhecido pelos homens do que pelas mulheres, aponta a pesquisa. Entre o eleitorado masculino, 38% deram seu nome, ao passo que apenas 23% das mulheres apresentaram respostas corretas.

MAIS RICOS

O tucano também goza de reconhecimento mais amplo junto aos estratos mais ricos dos moradores. Daqueles que recebem até dois salários mínimos de renda familiar mensal, 15% souberam afirmar quem é o novo prefeito. Entre os que recebem de cinco a dez salários, a fatia é de 47%, alcançando 64% daqueles que ganham mais de dez salários.

O eleitorado paulistano se mostra dividido em relação ao pouco conhecido prefeito, pendendo para o positivo. Um quarto (27%) deles tem expectativa de que Covas fará um governo ótimo ou bom, ao passo que 20% esperam um governo ruim ou péssimo. Uma faixa significativa (40%) crê que o prefeito fará uma administração regular.

O tucano tem índice de aprovação maior entre faixas mais velhas da população. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, apenas 20% esperam um governo bom ou ótimo, e 22% daqueles que têm entre 25 e 34 anos colocam Covas na mesma categoria –sendo que 25% deles esperam um mandato ruim ou péssimo.

Por outro lado, em todas as faixas com mais de 35 anos ele conta com pelo menos 30% de expectativas positivas para o mandato.

A troca de Doria por Covas terá impacto morno na visão dos eleitores. A maior parte (60%) não enxerga diferenças relevantes e pensa que a alteração não trará benefícios nem prejuízos à cidade. Para 17% dos consultados, o município será mais beneficiado do que prejudicado, enquanto 19% acreditam que sairão perdendo.

Os resultados da pesquisa ajudam a dimensionar a influência do sobrenome famoso na construção da imagem pública do atual prefeito.

Além das faixas que lembraram dele como “neto do Covas” ou “Covas”, outro 1% deu o nome de “Covas Neto”, em possível confusão com o vereador Mario Covas Neto (Podemos), filho de Mario Covas e tio de Bruno.

Entre as pessoas com mais de 60 anos, e que portanto acompanharam mais de perto a carreira do avô, 8% responderam que “o neto de Covas” é o novo prefeito.

O Datafolha ouviu 1.031 eleitores da cidade de São Paulo de quarta (11) a sexta-feira (13). A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

RETROSPECTO

Levantamento feito pelo Datafolha após Gilberto Kassab (à época no PFL) assumir a Prefeitura de São Paulo, em 2006, devido à saída de José Serra (PSDB) para concorrer ao governo mostrou que o atual ministro das Comunicações era então menos conhecido pelos paulistanos do que Bruno Covas atualmente.

Na ocasião, somente 23% das pessoas acertaram o nome de Kassab, ao passo que 77% disseram não saber ou deram alternativas equivocadas.

Pouco conhecido, Covas terá o desafio de construir sua identidade pública no vácuo de um antecessor que investia com peso na propaganda de sua administração.

A missão terá que ser enfrentada diante de prováveis turbulências pós-Doria.

Nova pesquisa do Datafolha mostrou que a maioria dos eleitores da capital reprova a renúncia de Doria. Para 66%, ele agiu mal. Outros 28% concordaram com a decisão, e 6% não souberam responder.

Além disso, 47% dos paulistanos avaliam sua passagem como péssima ou ruim.

Covas assumiu sob a pressão de tirar do papel grandes promessas de campanha que ainda não deslancharam: a conclusão de projetos de desestatização e a melhoria da zeladoria nas ruas da cidade.

Para tanto, terá que contornar restrições financeiras: em 2017, a prefeitura conseguiu investir só R$ 1,9 bilhão. A previsão oficial para este ano é de R$ 5,5 bilhões, mas, por depender de repasses federais, dificilmente esse número se concretizará. (Guilherme Seto, Folhapress)