3 - Luciano Huck é aplaudido de pé por estudantes em Cambridge

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES, ENVIADO ESPECIAL

CAMBRIDGE, EUA (FOLHAPRESS) - Se depender da plateia de jovens estudantes de Harvard e do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), na maioria brasileiros, que encheu uma das salas do hotel Marriott, em Cambridge, para assistir uma conferência em tom informal de Luciano Huck, 45 anos, o apresentador da Globo estaria eleito por unanimidade fosse lá o que desejasse se candidatar.

A palestra fez parte da "Brazil Conference", evento organizado pela Universidade de Harvard e pelo MIT que reúne um sem número de palestrantes em dois dias de painéis, debates e entrevistas.

Na tarde de quinta-feira (6), quem chegasse ao hotel poderia encontrar Eduardo Suplicy tomando café e comendo um cookie, com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad tirando fotos com admiradores ou com o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga comentando em entrevista a emissoras de TV os riscos do ressurgimento de um novo projeto populista nas próximas eleições brasileiras.

Huck repetiu em linhas gerais o que disse em sua recente entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Contou que o acidente aéreo que sofreu com sua família em Mato Grosso do Sul mudou sua vida; teceu elogios à capacidade da TV de "impactar" a vida das pessoas; martelou o binômio "ética e altruísmo" como grande máxima; e lamentou a situação em que se encontra o Brasil.

Uma decepção, contudo, que segundo ele pode e deve ser revertida por pessoas da sua geração. "O que mais me angustia hoje no Brasil é a gente não ter identificado lideranças da nossa geração. É preciso identificar essas forças e dar visibilidade para elas na vida pública," disse ele, quase que apontando para si próprio como alguém que poder muito bem preencher esse papel.

Afinal, Huck, como ele mesmo disse, tem "essa inquietude de se reinventar". E sua receita de liderança ideal é feita com ingredientes que ele demonstra concentrar: "Borogodó" (ou "carisma"), capacidade de execução e, claro, ética e altruísmo.

O apresentador, como faz em seus programas, citou exemplos de vida de pessoas de baixa renda, insistindo na tecla de que o povo brasileiro tem tudo para dar certo. Para demonstrá-lo levou pessoalmente a Cambridge uma senhora que descobriu em Belo Horizonte, dona Vanilda, cuja história de vida é de fato comovente e admirável.

De menina analfabeta rejeitada pelo pai e por uma família para a qual trabalhava, tornou-se uma liderança comunitária dedicada sobretudo à educação - criou uma biblioteca que recebeu o apoio de Huck e conta hoje com 25 mil livros.

Depois de chamá-la ao palco, ele fechou a palestra de mãos dadas com o povo. Foi aplaudido de pé pela entusiasmada plateia.