3 - Prestar contas em rede social é como fazê-lo em site da prefeitura, diz Doria

3 - Prestar contas em rede social é como fazê-lo em site da prefeitura, diz Doria

PATRÍCIA ARAÚJO

ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - Um dia após publicar primeiro em seu perfil pessoal em uma rede social os dados de doações de empresas a sua gestão, o prefeito João Doria (PSDB) justificou a escolha dizendo que seu perfil é "tão democrático quanto o da própria prefeitura".

Questionado pela reportagem durante visita a Roma sobre a transparência dos dados e o meio de divulgação, o tucano disse que todas as suas "ações, viagens, movimentos e encontros são divulgados no meu Facebook abertamente para acesso de todos". "Portanto é tão democrático quanto o da própria prefeitura."

O caso foi divulgado pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (18). Além de usar canal não oficial, o prefeito divulgou as tabelas em arquivos fotográficos de baixa qualidade. Questionada, a assessoria do prefeito afirmou que o material também foi publicado no site Dados Abertos, canal oficial da prefeitura, o que só foi feito horas depois da publicação do tucano em sua página.

Em quase quatro meses de mandato, mais de cem empresas já doaram itens que vão de móveis para o gabinete do prefeito a medicamentos para os postos de saúde. A lista com quase 200 doações divulgada pelo prefeito em sua conta no Facebook apresenta uma série de imprecisões, como doadores não especificados e estimativas aparentemente vagas.

Doria negou que os nomes não tenham sido especificados e afirmou que "valores com décimos foram arredondados, mas pequenas diferenças, o que normalmente se faz".

RESTAURAÇÃO

O prefeito disse ainda que irá recuperar três "pontos históricos" da cidade de São Paulo com a ajuda financeira de empresas italianas. Segundo Doria, a praça do Patriarca, ao lado do Theatro Municipal de São Paulo, na região da Sé, a praça Milão, na avenida República do Líbano (região do Parque Ibirapuera), e uma pequena praça dedicada à Memória da Imigração Italiana na avenida 9 de Julho, na região central, serão restauradas com ajuda de capital italiano.

"Estamos vendo isso com o apoio da Embaixada da Itália no Brasil, em Brasília. Tivemos uma reunião há duas semanas, liderada pelo embaixador e também pelo cônsul da Itália em São Paulo. Tínhamos acho que 14 empresas italianas nessa reunião. O objetivo foi estabelecer parcerias com essas empresas para programas de recuperação urbana da cidade", contou Doria.

No caso da praça do Patriarca, o prefeito informou que os trabalhos de recuperação irão contar com o apoio de restauradores de Roma, mas não citou nomes. O prefeito também não especificou quais são as empresas envolvidas nesses projetos. "Assim que nós terminarmos e pudermos formalizar, vamos anunciar (os nomes). Mas são empresas que atuam no Brasil já há muitos anos."

VISITA AO PAPA

A viagem de Doria a Itália é a terceira missão internacional do prefeito desde o início de seu mandato. O prefeito contou que possui uma relação profunda com a Itália. Ele morou um ano em Roma, período em que fez um curso na Universidade La Sapienza. "Tempo suficiente para me apaixonar pela cidade e aprender o italiano também."

O principal objetivo da visita, no entanto, é o encontro que haverá na quarta (19) com o papa Francisco. Doria participará da audiência pública que o papa realiza todas as quartas na praça São Pedro, no Vaticano. Ele fará parte de uma comitiva de cerca de 50 autoridades de diversas partes do mundo que terão o direito de saudar o papa pessoalmente.

Em entrevista, Doria afirmou que sua intenção é pedir ao líder da Igreja Católica que reveja sua decisão e vá a Aparecida (a 180 km de São Paulo) para participar das comemorações dos 300 anos da padroeira do Brasil, em outubro.

No entanto, a assessoria de imprensa do Vaticano reafirmou à reportagem, na manhã desta terça (madrugada no Brasil), que o papa não virá ao país neste ano porque se dedicará às visitas que receberá de bispos de todo o mundo, o que a Igreja chama de "Ad Limina".

Após a audiência com o papa, o prefeito de São Paulo segue para Portugal onde participará do 5º Seminário Luso Brasileiro de Direito, na Faculdade de Direito de Lisboa. Doria será um dos palestrantes do evento, ao lado dos ministros da Saúde do Brasil, Ricardo Barros, e de Portugal, do ministro do STJ Luís Felipe Salomão e outras autoridades.