3 - Wesley Batista é considerado eficiente gestor e entende até de corte de carne

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10 - 'Eu me vi em pânico', disse Wesley Batista em audiência após ser preso

10 - 'Eu me vi em pânico', disse Wesley Batista em audiência após ser preso

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JOANA CUNHA E ALEXA SALOMÃO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O empresário Wesley Batista, preso nesta quarta-feira (13) em São Paulo, foi um dos grandes responsáveis por elevar a JBS ao posto de maior empresa de carnes do mundo nas últimas décadas, ao lado do pai e dos irmãos.

Wesley entrou na presidência-executiva da JBS em 2011, quando seu irmão Joesley Batista assumiu o conselho de administração do grupo.

A saída de Wesley do cargo já vinha sendo discutida nas últimas semanas em uma disputa judicial com o BNDES, que é dono de mais de 20% das ações da JBS, mas é vista com forte pessimismo pelo mercado. As relações com o banco se deterioraram a partir da delação premiada dos irmãos, em maio.

Executivos do setor ressalvam que, depois das revelações de suborno praticado pelos irmãos Batista, não é possível dizer que há "santos nessa história", mas Wesley tem o mérito de ter "uma visão mais empresarial". "É um cara do bem, trabalhador e com visão clara de que a JBS precisa melhorar, e muito, sua governança. Só não fez isso antes por causa do Joesley", disse o executivo que não quis ter o nome revelado.

Além de ser considerado um eficiente gestor, respeitado nos mercados internacionais onde a JBS atua, Wesley representa uma base de sustentação ao futuro da empresa. Segundo a própria J&F, holding da família Batista que detém 42,5% de participação na companhia, a saída do executivo pode desencadear uma antecipação da cobrança de dívidas pelos bancos por quebra de contrato devido à mudança de controle.

A história da empresa familiar ajuda a explicar os papéis que os filhos do fundador, José Batista Sobrinho, assumiram no negócio. Zé Mineiro, como era conhecido o fundador, abriu uma pequena casa de carnes em Anápolis (GO) nos anos 1950 e foi comprando plantas de abate no Estado nos anos seguintes.

A empresa sempre compreendeu e separou muito bem os perfis dos membros da família.

No município de Formosa (GO), onde nasceram Wesley (1970) e Joesley (1972) e também o local onde José Batista Sobrinho montou seu frigorífico Friboi, os três filhos homens se notabilizaram pelo mesmo perfil profissional que o mercado hoje em dia os define internacionalmente.

O primogênito, José Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi, é o "comerciante". Já na adolescência, ele comprava e vendia gado entre pequenos municípios goianos da região. Presidiu a empresa até 2005, ajudando a torná-la a maior companhia do país no segmento. Depois saiu para tocar outros negócios e tentou se aventurar na política, mas desistiu.

Joesley, que foi detido na terça-feira (12) em Brasília, é visto como o homem das finanças. Teve papel fundamental no crescimento da empresa no setor de carne bovina por meio de aquisições e investimentos nas unidades que já possuía, levando a capacidade diária de abate a alcançar 5,8 mil cabeças por dia entre 1970 e 2001, segundo a empresa.

Wesley se destacou pela eficiência operacional, com entendimento dos frigoríficos, das linhas de produção e até de cortes de carne. Por ter acompanhado desde jovem o crescimento dos negócios da família, ele aprendeu em detalhes sobre todas as etapas da produção, desde a compra de gado até a desossa, que é a preparação dos cortes de carne bovina para a venda no varejo.

Ele desenvolveu a capacidade de adequar e integrar rapidamente as companhias adquiridas, tornando mais eficiente o crescimento por aquisições. Quando a empresa se expandiu para os Estados Unidos, foi Wesley quem coordenou o processo.

Hoje negocia com estrangeiros e comanda conferências falando inglês com desenvoltura. Mas há pouco mais de dez anos, quando ainda não tinha fluência na língua, foi com esta capacidade operacional que ele liderou a incorporação de companhias estrangeiras robustas.

É no comando dos irmãos Joesley e Wesley, a partir de 2007, que a Friboi abre capital na Bolsa, passa a se chamar JBS e receber apoio bilionário do BNDES para manter-se na rota de crescimento agressivo que ambicionava desde os primeiros anos até se transformar na maior empresa de carnes do mundo.

Em 2006, a companhia já operava 21 plantas no Brasil e cinco na Argentina, com capacidade de abate em mais de 19 mil cabeças por dia. Nas mãos dos dois irmãos mais novos começam as grandes aquisições da americana Swift em 2007, passando pela incorporação do frigorífico Bertin e o controle da Pilgrim's Pride, para ingressar no mercado norte-americano de aves, em 2009, entre outros tantos negócios no exterior.