30 - Collor recebeu caixa 2 com a promessa de ajudar a Odebrecht em Alagoas

WÁLTER NUNES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL), ex-presidente da República, recebeu R$ 800 mil em caixa dois de campanha, em 2010, com a promessa de ajudar a Odebrecht a entrar no setor de saneamento básico no Estado de Alagoas, segundo delatores da Odebrecht.

A história é contada por Fernando Cunha Reis e Alexandre Barradas, que eram, respectivamente, presidente e diretor da Odebrecht Ambiental. Eles relatam que participaram de uma reunião no dia 12 de agosto de 2010 na casa de Collor, em Maceió.

No encontro, eles falaram sobre problemas de Alagoas na área de saneamento e a intenção da Odebrecht de investir no setor, inclusive com a privatização da empresa estatal. Collor, então candidato ao governo, ouviu a demanda dos executivos e fez um "pedido de vantagem indevida".

O senador disse que só poderia dar seguimento às propostas sugeridas por Reis se ganhasse a eleição. Para isso, precisava de contribuição de campanha.

Na visão dos executivos da Odebrecht, valeria a pena apostar na candidatura de Collor por ele ser uma forte liderança "capaz de enfrentar o corporativismo da Casal (Companhia Estadual Alagoana de Saneamento), que emperraria a realização dos projetos de parcerias em Maceió". Para eles, Collor estaria alinhado com os propósitos da Odebrecht.

Collor e Reis acertaram uma doação de R$ 800 mil. A entrega do dinheiro foi ajustada entre Barradas e Euclydes Mello, aliado e ex-suplente de Collor no Senado.

A ordem para o repasse foi feita via o setor de operações estruturadas e o pagamento foi em dinheiro vivo. Na planilha do setor de operações estruturadas, Fernando Collor é identificado pelo codinome Roxinho.

OUTRO LADO

O senador Fernando Collor divulgou nota rebatendo as acusações dos delatores da Odebrecht. "Nego, de forma veemente, haver recebido da Odebrecht qualquer vantagem indevida não contabilizada na campanha eleitoral de 2010."