30% das cidades brasileiras ficaram sem vacina para 2ª dose nesta semana, aponta pesquisa

Rafael Barifouse - Da BBC News Brasil em São Paulo
·3 minuto de leitura
Pessoa sendo vacinada
Falta de vacinas afeta milhares de cidades do país, diz CNM

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que quase um terço das cidades brasileiras ficaram sem a segunda dose da vacina contra a covid-19 nesta semana.

No levantamento, foram consultados 2.824 municípios - mais que a metade do total -, entre 26 e 29 de abril, e 30,8% deles disseram que não tinham doses para a segunda aplicação.

As Prefeituras também foram questionadas se ficaram sem vacinas para a aplicação da primeira dose.

Dos 2.820 municípios que responderam, quase um quarto (23,9%) afirmaram que sim, e 76,1% disseram que não enfrentaram problemas.

Os números são quase iguais ao do levantamento da semana anterior, quando 23,8% das prefeituras informaram ter ficado sem vacina para a primeira dose.

No entanto, como na pesquisa atual foram ouvidas 724 cidades a mais, o número absoluto de cidades onde faltou vacina para a primeira aplicação é maior.

Na pesquisa anterior, não foi investigada a falta de doses para a segunda aplicação.

A questão foi incluída no levantamento semanal da CNM sobre os problemas enfrentados pelos municípios na pandemia com a multiplicação de relatos da paralisação da campanha de imunização porque os estoques da CoronaVac haviam acabado.

Problema afeta todo o país

Denilson Magalhãoes, consultor da área técnica de saúde da CNM, explica que a falta de vacina afetou cidades de todos os portes, Brasil afora. "Está bem distribuído, afeta todo o país, todo o tipo de cidade", diz Magalhães.

No entanto, ele afirma ser possível observar que a falta de vacina para a segunda dose foi mais crítica nas regiões Sudeste, com 21% das cidades afetadas, e, especialmente, na região Sul, com 47%.

"No Rio Grande do Sul, faltou vacina para a segunda dose em 451 dos 497 municípios consultados", diz Magalhães.

Já a falta de vacina para a primeira dose foi maior na região Nordeste, com 29% das cidades informando ter enfrentado esse problema.

"As cidades tinham recebido uma orientação do governo federal de que não tinha necessidade de fazer reserva de doses para a segunda aplicação. Acabou se vacinando muito, e agora começou a faltar porque a demanda foi grande e teve atrasos de produção", diz Magalhães.

"Estamos reforçando com as cidades a necessidade de guardar doses para garantir a vacinação de toda a população."

Marcelo Queiroga
Ministério vai mudar regime de entregas para locais em dificuldades

Ministério fará mudanças

Na segunda-feira (26/4), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse durante uma audiência pública no Senado que há "dificuldade" com a entrega da segunda dose da CoronaVac.

O CNM fez uma reunião com o Ministério da Saúde na última terça-feira (28/04) para resolver a questão.

Ficou acordado que o governo federal vai enviar diariamente vacinas para os municípios que enfrentam problemas, de forma emergencial, até a situação normalizar. Essas doses serão descontadas da remessa semanal prevista para essas cidades.

A pasta também anunciou a distribuição de 104,8 mil doses da CoronaVac aos Estados a partir de quinta-feira (29/04).

O Ministério da Saúde divulgou um comunicado para reforçar que a segunda dose da vacina contra covid-19 deve ser tomada mesmo fora do prazo normal, para completar a imunização.

A maioria das vacinas contra a covid-19 testadas e já aprovadas necessitam de duas doses para conferir uma taxa de proteção aceitável. Isso vale para a CoronaVac e o imunizante da AstraZeneca, que são usados atualmente na campanha brasileira.

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