300 operários da Foxconn ameaçam se suicidar caso não recebam aumento de salário

Chineses trabalham na montagem do Xbox, console da Microsoft

Por Guilherme Abati

“Não tem trabalho ruim, ruim é ter de trabalhar”, já dizia o grande Seu Madruga. Para os trabalhadores chineses da Foxconn, essa é uma verdade inquestionável – e sem espaço para piadas. Tão inquestionável que cerca de 300 deles anunciaram no último dia 3 que iriam cometer suicídio coletivo caso seus salários não fossem elevados. Greve é para os fracos, meu camarada. Com os operários da maior fabricante de componentes eletrônicos do mundo, é o salário ou a morte.

Será que eles pulariam mesmo? (Daily News)

Os funcionários em questão trabalham na linha de montagem do console Xbox, da Microsoft. Eles ameaçaram se atirar do último andar da fábrica caso suas exigências fossem negadas. Eles permaneceram na cobertura do prédio por dois dias.

Segundo o site Tom’s Hardware, a Foxconn sugeriu que os trabalhadores insatisfeitos pedissem demissão e recebessem o salário deste mês. A companhia, entrementes, não pagou sequer o salário prometido. Aí a vontade de se matar cresceu entre os chineses, como é de se esperar.

Os chineses só não se atiraram do prédio porque o prefeito da cidade de Wuhan, cidade sede da Foxconn, conseguiu usar sua lábia de político e os convenceu a desistir da loucura. Não seria a primeira vez que funcionários da fábrica se suicidariam. Em 2010, 14 funcionários resolveram encerrar suas participações no planeta Terra como forma de protesto contra as péssimas condições de trabalho e as baixas remunerações recebidas. Nesse caso, a Foxconn tratou de rever o número de horas de trabalho dos funcionários, os salários e as horas extras de seus operários.

A situação dos 300 chineses ainda não foi definida.