“Por que temos tão poucas mulheres no movimento liberal?”

Esta pergunta recorrente é repetida aos quatro cantos da libertosfera.

Muitas vezes, os que fazem a pergunta são os mesmos a fomentar as razões do afastamento massivo feminino.

Se você é uma mulher e já participou de um movimento político deve ter compreendido que, em qualquer ponto do Diagrama de Nolan, há uma centena de casos de discriminação contra o gênero, seja explícita ou velada.

Generalizar é incorrer em um erro grave: em minha trajetória nos meios políticos fui, por diversas vezes, tratada como uma igual diante de meus colegas homens. Outras vezes, não. Mas as experiências variam de acordo com cada pessoa, como não poderia deixar de ser.

O meio liberal possui, em sua estrutura, o reconhecimento de igualdade entre todos os indivíduos, sendo a única diferenciação razoável aquela ligada à meritocracia – indivíduos que, de alguma maneira, gerarem mais valor para a sociedade, terão reconhecimento maior. E é assim que deve ser.

No entanto, não é possível negar que machismo existe. E ele existe em todos os meios, até mesmo nos meios em que deveria ser mais incompatível. Atualmente, existe uma quantidade imensa de mulheres que se reúne para tratar de política, em todos os espectros… as de direita, as de esquerda, as liberais. Cada uma com suas pautas, cada uma em seus contextos. Algumas enxergando os homens como inimigos, outras como aliados, mas frequentemente refugiando-se em seus grupos, onde a análise dos problemas e divisão das vivências comuns não encontram barreira prática.

Neste quesito, a esquerda brasileira tem se saído muito bem: suas pautas pregam apoio social, acolhimento de minorias e alienação total da lógica econômica em nome do que parece ser “amor ao próximo”, e são muito mais atraentes para nós, por conectarem-se com o viés de empatia e fraternidade, mais evidente nas moças. As candidatas de mais destaque até o momento são de esquerda (não que houvesse muitas opções partidárias para as mulheres de direita e liberais antes de 2018).

Partidos como PSOL, PCdoB e PT investem explicitamente em engajar mulheres e minorias em geral (vide a necessidade deste último em esclarecer publicamente sua relação – inexistente – com a cantora Pabllo Vittar, em pegadinha divulgada por terceiros onde a indicam como vice do “candidato” que está preso).

Nos últimos anos, contudo, o avanço das ideias liberais e de direita tem angariado a presença cada vez mais marcante de mulheres engajadas. Munidas de conceitos ideológicos e premissas filosóficas distantes da esquerda, conseguem identificar em outras posições políticas a oportunidade de, pragmaticamente, exercerem seus valores em favor da sociedade. Afinal de contas, não é apenas a liberdade sexual que pode nos trazer progresso. A valorização da família em seus variados modelos, a independência financeira através do empreendedorismo e do livre mercado e a prática do voluntarismo são conceitos que também nos permitem evolução enquanto sociedade.

Com o crescimento do cenário político brasileiro, as mulheres encontram mais opções de representatividade entre candidatas e entre partidos. Novos partidos, como o Partido NOVO, cumprem a meta de mulheres no quadro de candidatos.

Há uma lei que obriga os partidos a bater essa meta – mas, via de regra, nada do que é imposto via canetada será funcional e eficiente. Políticos somente são eleitos se suas pautas correspondem aos anseios do povo que vota: e seu gênero geralmente não tem influência significativa nessa decisão. Mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro. Se houvesse relação direta, muito mais mulheres ganhariam eleições… e não é o caso.

De Tatcher a Kolinda Grabar-Kitarović. De Harriet Mill a Maria da Penha. De Priscila Chammas a Elena Landau. Não é com um decreto que conseguiremos maior engajamento político feminino, mas sim mostrando a relevância de mulheres icônicas, preparadas, com boas ideias, com coerência ideológica, coragem e competência para não apenas sobrepor as tendências de machismo que ainda existem na nossa política (como existem em todos os meios), mas também levantar as bandeiras necessárias para corresponder aos anseios populares de liberdade, autonomia e redução do estado.