381 pessoas foram condenadas por participação em protestos de julho de 2021 em Cuba, dizem autoridades

Autoridades cubanas confirmaram, nesta segunda-feira, que 381 pessoas foram condenadas, em definitivo, por participação nos protestos de 11 e 12 de julho de 2021 na ilha, os foram os maiores atos contra o governo local em décadas. Uma pessoa morreu, dezenas ficaram feridas e mais de 1,3 mil foram presas inicialmente, sendo que centenas permanecem detidas até hoje.

'De forma limitada e gradual": EUA anunciam retomada da expedição de vistos em seu consulado em Cuba, fechado desde 2017

Parceiros: Rússia busca aliados na América Latina em plena ofensiva militar na Ucrânia

De acordo com o comunicado da Procuradoria-Geral, os principais delitos registrados nos processos foram sabotagem, roubo com uso de força e violência, atentado, desacato, desordem pública e, em 36 casos, o crime de sedição, punido com até 25 anos de prisão.

Conectados: Quem são os jovens que lideram a nova oposição cubana

No total, 297 pessoas “receberam sanções de privação de liberdade”, enquanto outros 84 réus, incluindo 15 jovens com idades entre 16 e 18 anos, foram condenados a “outras penas alternativas que não implicam em seu ingresso na prisão”, como a prestação de trabalho correcional.

Como as sentenças foram confirmadas pelo Tribunal Supremo de Cuba, elas se tornam definitivas, e não cabe mais recurso.

Movimento nas ruas

Os protestos de 11 e 12 de julho, considerados os maiores desde a Revolução de 1959, levaram milhares de pessoas às ruas para criticar o agravamento das condições sócio-econômicas da ilha, que enfrentava escassez de alimentos e medicamentos, e vivia seus piores momentos na pandemia de Covid-19.

Crise: População de Cuba sofre com escassez de leite devido a embargo dos EUA e baixa produção interna

Os atos foram registrados em várias cidades, incluindo a capital, Havana, e em Santiago de Cuba, a segunda mais importante da ilha. Houve repressão por parte das forças de segurança, que incluiu a prisão de centenas de pessoas, muitas delas detidas até hoje, além de agressões aos manifestantes.

O governo chamou os atos de “contrarrevolucionários”, e acusou os Estados Unidos de estarem por trás do movimento — apesar do democrata Joe Biden já comandar a Casa Branca, até aquele momento não havia mudanças significativas em relação ao aperto promovido pelo governo de Donald Trump, que reverteu a política de aproximação de Barack Obama.

Durante o governo do republicano, foram implementadas 240 novas restrições às trocas comerciais com Havana, e ampliadas as restrições a cidadãos americanos que planejavam visitar a ilha a turismo — um dos principais impactos da política de Obama foi a facilitação de viagens para Cuba, com o estabelecimento de voos regulares, mas Trump posteriormente limitou essas rotas entre os dois países.

Neste cenário, veio a pandemia, e a posterior interrupção do turismo externo para a ilha, eliminando a principal fonte de renda de parte considerável da população — o resultado foi catastrófico, com queda de 11% do PIB em 2020 e um crescimento irrisório em 2021, insuficiente para amenizar a crise, que explodiu nas ruas em julho do ano passado.

Reações: Cuba reprime protestos, mas não visão crítica da juventude sobre o regime, dizem analistas

A ligação do estado do país com a intensificação do bloqueio levou as autoridades cubanas a atacarem diretamente a Casa Branca. No próprio dia 11 de julho de 2021, o presidente Miguel Díaz-Canel disse que “se querem [EUA] que a situação do povo melhore, suspendam primeiro o bloqueio”, chamando o embargo, em vigor desde os anos 1960, de “injusto, criminoso e cruel”. Washington nega qualquer participação no movimento, e exige a libertação de todos os detidos.

Também foram convocadas marchas de apoio às autoridades de Havana, e teve início uma onda de prisões e desaparecimentos — alguns dos detidos foram levados para locais não revelados, sem contato com a família e advogados, segundo ativistas, mas tais fatos foram negados por Havana.

Novo marco legal: Cuba tipifica delitos como ‘subversão social’ ao regular internet, e medida é vista como mordaça à dissidência

Em janeiro, em informe preliminar, o governo afirmou que 790 pessoas estavam sendo processadas em casos relacionados aos protestos, sendo que 55 tinham menos de 18 anos. O número foi contestado por um grupo cubano que acompanha os processos, o Justice 11J: segundo eles, 1.442 pessoas foram presas nos atos de julho, e 756 ainda estavam detidas até o final de janeiro.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos