4 - Petistas admitem que 'ficha caiu', apesar de discurso

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5 - 'Sendo candidato ou não, eles vão ter que nos engolir em 2018', diz Lula

5 - 'Sendo candidato ou não, eles vão ter que nos engolir em 2018', diz Lula

IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cúpula do PT prevê uma "guerrilha jurídica" para tentar garantir a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 2018, mas a marcação do julgamento do recurso que deverá impedi-lo de concorrer fez "cair a ficha" no partido.

Segundo a reportagem apurou, a expressão foi usada por diversos líderes petistas em conversas desde a tarde de segunda, quando ficou público que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região julgará a apelação de Lula contra a condenação no caso do tríplex no dia 24 de janeiro.

Dentro da sigla, o tempo recorde do andamento do processo é visto como a justificativa perfeita para a narrativa de que Lula é um perseguido judicial.

Sua defesa está levantando dados comparativos do andamento de recursos de processos no âmbito da Operação Lava Jato.

O plano A segue sendo tentar levar Lula até o fim da disputa, mas a sobriedade tem pautado as conversas internas no partido. Nelas, a alta probabilidade de o ex-presidente ser impedido de concorrer por estar condenado por colegiado antes do prazo inicialmente previsto é vista também como uma janela de oportunidade.

A sigla ganha tempo para fazer costura de alianças estaduais vitais para sua pretensão nacional. Essa era a visão predominante até há alguns meses, mas parecer jurídico indicando chance de sucesso em recursos mudou a tática visível do PT.

O foco é o PSB, partido que está rachado e sob assédio de siglas como PMDB e DEM, pelo maior ativo que possui: a candidatura ao governo de São Paulo.

O atual vice-governador, Márcio França, é do partido e irá assumir a cadeira de Geraldo Alckmin quando o tucano se desincompatibilizar para disputar o Planalto.

França quer buscar a reeleição, e o PT está disposto a abrir mão da candidatura de Luiz Marinho se a costura se viabilizar em Estados como o Ceará e Pernambuco, além obviamente da aliança nacional.

Resta saber como França, que se diz leal a Alckmin, procederia num acerto desses.

O PT aposta que ele não terá muita opção, já que o PSDB terá candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes.

Tudo isso é central para que o PT consiga construir uma candidatura a partir da ruína da postulação de Lula.

Os nomes mais citados, do ex-governador Jaques Wagner (BA) e do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, estão longe de serem conhecidos nacionalmente, o que não precisa ser um problema, já que a taxa de rejeição ao PT vem caindo neste ano em pesquisas eleitorais.

Mas a transferência de votos não é um processo automático, como indicou pesquisa do Datafolha.

O partido inclusive pode discutir apoio a um nome de fora da sigla, embora hoje essa possibilidade seja remota. Não menos por falta de opção: o candidato mais encorpado no campo da esquerda, Ciro Gomes (PDT), queimou as pontes com o PT após seguidas críticas à postulação de Lula. O resto da tropa é formada por nanicos.