40 anos dos Jornais de Bairro: Dos barcos à ponte aérea, relembre as mudanças na mobilidade na Barra da Tijuca

Em 1982, quando O GLOBO-Barra foi criado, a Barra da Tijuca começava seu processo inexorável de urbanização e crescimento, e o Plano Lucio Costa, concebido com o objetivo de nortear essa expansão, no fim dos anos 1960, podia tanto ser seguido quanto solenemente ignorado nos projetos. A população na Área de Planejamento 4 da cidade, que engloba Barra e Jacarepaguá, era de 400 mil habitantes, e a Avenida das Américas, via expressa que ligava Rio a Santos, tivera um trecho duplicado mas ainda não contava com sinais de trânsito.

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A Avenida Lucio Costa, na orla, chamava-se Sernambetiba, e o campeão de voo livre Pepê fazia sucesso também com sua barraca de sanduíches naturais na beira da praia, que atraía tantos visitantes à região quanto o Bar do Oswaldo ou o trecho da Estrada da Barra da Tijuca conhecido como Rua dos Motéis. Pescadores se esbaldavam no início da Praia da Barra e nas lagoas, e o Recreio dos Bandeirantes era predominantemente rural.

Naquele ano, a Autoestrada Lagoa-Barra foi inaugurada, facilitando a ligação da Zona Sul à Barra da Tijuca, um alívio para os frequentadores do bairro e para quem começava a enxergá-lo como uma opção viável também de moradia ou trabalho, tendência que se consolidou desde então.

Todas as mudanças foram devidamente documentadas pelo GLOBO-Barra, que preparou uma série de reportagens sobre o tema. Nesta primeira, o tema é mobilidade.

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Dos barcos à ponte aérea

Se até a década de 1960 o isolamento, a vida pacata e a beleza natural conferiam à Barra da Tijuca e aos bairros vizinhos o título de Sertão Carioca, sendo os barcos a forma predominante de acesso, o início dos anos 1980 marcou a criação de novas ofertas de acessibilidade à região. Como a Autoestrada Lagoa-Barra, rebatizada de Engenheiro Fernando Mac Dowell em 2018. Aberta ao trânsito em 22 janeiro de 1982, a via era necessária para fazer face ao crescimento da cidade em direção à Barra da Tijuca. A Avenida Niemeyer e a Estrada do Joá, alternativas para quem saía do Centro ou da Zona Sul, e a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá já não davam conta do tráfego.

Com a confirmação do crescimento da cidade para o Oeste, novas rotas foram sendo criadas.

— O acesso à Barra melhorou muito também após a criação da Linha Amarela (inaugurada em 1997), porque ela favorece não apenas o acesso de quem sai da Zona Sul, mas se conecta ainda com a Avenida Brasil e com a Linha Vermelha, no Fundão. Isso gera um eixo bem distribuído de circulação — explica Alexandre Lourenço, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Uerj.

As obras feitas na cidade com vistas à Copa do Mundo e a Olimpíada de 2016 — que teve competições no bairro — também favoreceram a região. Em 2012, a via recebeu seu primeiro corredor expresso de BRT, o Transoeste, modal que tornou mais rápido o acesso à Barra de moradores da Zona Norte e de outras áreas da Zona Oeste e atualmente passa por intervenção da prefeitura. Em 2016, o metrô chegou à Barra. E, desde 31 outubro último, tornou-se possível pegar a ponte aérea Rio-São Paulo saindo do Aeroporto de Jacarepaguá, serviço inaugurado pela Azul.

Dentro do bairro, a mobilidade também precisou ser contemplada para compensar o aumento de movimento. Via em torno da qual se concentra grande quantidade de atividades, a Avenida das Américas passou por várias intervenções para melhoria do trânsito nos últimos anos. Entre 1994 e 1998, teve 14 quilômetros duplicados. Outras avenidas importantes do bairro, como a Ayrton Senna e a Embaixador Abelardo Bueno, também tiveram trechos duplicados, e vias secundárias precisaram ser abertas.

Sempre lembrada, a possibilidade de incrementar o acesso hidroviário à região continua em discussão.

Amanhã

A série de reportagens sobre as mudanças na Barra da Tijuca abordará a evolução no perfil dos moradores do bairro.