5 - Temer pede a AGU que solicite quebra de sigilo de lista de Janot

GUSTAVO URIBE, BRUNO BOGHOSSIAN E PAULO GAMA

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Michel Temer informou nesta quarta-feira (15) que solicitou à AGU (Advocacia-Geral da União) que faça um pedido formal ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin para que quebre o sigilo de todos os servidores do governo federal incluídos na lista de pedidos de investigação da Procuradoria-Geral da República.

A intenção do presidente em formalizar o pedido foi antecipada pela Folha de S.Paulo e foi relatada por ele a assessores e auxiliares e a senadores presentes em jantar promovido nesta noite, no Palácio do Alvorada, com a bancada peemedebista, em uma tentativa de se reaproximar do líder do partido, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Ao realizar a solicitação, a intenção do presidente é evitar que, por conta da falta de publicidade dos detalhes das acusações, todos os integrantes da administração peemedebista sejam colocados em suspeição, atrapalhando a elaboração de uma estratégia de defesa e afetando o andamento normal da pauta administrativa.

Ao todo, seis ministros já foram confirmados na lista elaborada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot: Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral), Gilberto Kassab (Comunicações), Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades) e Marcos Pereira (Indústria).

No jantar, senadores peemedebistas também criticaram o vazamento "a conta gotas" dos nomes dos pedidos de inquérito e defenderam que a Suprema Corte quebre o sigilo de todos, evitando que se crie o que foi chamado de "clima de receio" no país.

A avaliação feita é que a divulgação parcelada prejudica tanto o Executivo como o Legislativo, criando o risco de afetar o ritmo de funcionamento dos dois poderes e, assim, "paralisando o país".

O jantar promovido no Palácio da Alvorada foi realizado a pedido de Renan Calheiros, que defendeu ao presidente um encontro de confraternização dele com a bancada peemedebista.

No final, contudo, o encontro serviu mais para uma reaproximação entre Temer e Renan, que criticou nesta quarta-feira (15) a postura do Palácio do Planalto no debate da reforma previdenciária.

Na tribuna, o senador afirmou que o Palácio do Planalto "precipitadamente já inviabilizou a reforma da Previdência". "O Brasil todo está nas ruas. Votarmos exatamente hoje a urgência para essa matéria é um preço que não podemos pagar. É no mínimo um equívoco político", disse.

Para amenizar o clima com o correligionário, Temer fez questão de se sentar na mesa de Renan e, em brinde, fez afagos públicos ao peemedebista.

Segundo relatos, ele chamou Renan de "líder-presidente" e lembrou de sua atuação durante a madrugada para a aprovação da proposta do teto de gastos públicos, no final do ano passado.

Além de Renan, Temer fez questão de se reaproximar da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que defendeu a ex-presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment. O gesto de convidá-la ao jantar teve como objetivo sinalizar a disposição de tê-la como aliada na bancada peemedebista.