50% dizem não votar em Bolsonaro de jeito nenhum, ante 45% em Lula, aponta Datafolha

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma parcela do 50% dos eleitores não votariam de jeito nenhum no presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 45% respondem que não escolheriam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mostra pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (27), a três dias do segundo turno.

No levantamento da semana passada, a fatia que se recusava a votar em Bolsonaro era de 50%, e a que rechaçava Lula era de 46%. Os índices próximos entre eles, em uma das eleições mais acirradas da história do país, são captados após o aumento de ataques mútuos nas últimas semanas. Na guerra de rejeições que marca a campanha, o candidato à reeleição figurou desde o início como o mais indesejado.

O instituto ouviu 4.580 pessoas em 252 municípios entre terça (25) e esta quinta-feira (27). A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrada sob o código BR-04208/2022 no Tribunal Superior Eleitoral. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos, considerando um nível de confiança de 95%.

A campanha de Bolsonaro enfrenta uma sequência de problemas desde a semana passada, como o ataque a tiros e granadas do aliado Roberto Jefferson, ex-deputado federal pelo PTB, a policiais federais que cumpriam uma ordem de prisão contra ele e o desgaste oriundo da revelação pela Folha de S.Paulo do plano do ministro Paulo Guedes (Economia) para mudar a política de reajustes do salário mínimo e de aposentadorias.

A polêmica da desindexação também ampliou a taxa de rejeição a Bolsonaro entre os que ganham até dois salários mínimos (que representa 48% da população). Dentro desse grupo, a parcela que dizia não votar de jeito nenhum no presidente era de 57% na semana passada e agora é de 60%. Já os que afirmavam o mesmo em relação a Lula eram 38% e hoje são 33%.

Os dois episódios foram explorados pelo PT contra o rival e motivaram uma reação dos bolsonaristas. O presidente já havia sido atacado nos dias anteriores pela fala de que "pintou um clima" entre ele e adolescentes venezuelanas, durante um passeio nos arredores de Brasília, e pelo resgate de um vídeo em que se dizia disposto a comer carne de um indígena morto.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu a campanha petista de associar Bolsonaro à pedofilia e ao canibalismo com base nas duas declarações e também mandou remover conteúdos sobre a proposta do governo de reajustar o salário mínimo abaixo da inflação. As cenas de confronto produzidas por Jefferson, que deixaram dois policiais feridos, também foram usadas para ligar o presidente à violência.

Já contra Lula pesou a ofensiva do lado oposto para reforçar seus vínculos com a corrupção, ressaltando escândalos da era petista como o petrolão e recuperando a relação do ex-presidente com condenados que foram presos por desvios na Petrobras e também na época do mensalão. Além disso, consolidou-se sobretudo entre evangélicos a mensagem enganosa de que o petista, se eleito, fechará igrejas.

Entre a semana passada e esta, a rejeição a Lula oscilou 1 ponto para baixo, dentro da margem de erro. A situação indica uma dificuldade da campanha de Bolsonaro em arranhar a imagem do petista para ampliar sua rejeição.

O PT conseguiu derrubar no TSE conteúdos de bolsonaristas em redes sociais sobre supostos laços do ex-presidente com a facção criminosa PCC e com narcotraficantes do Rio de Janeiro, com a mentira de que o boné usado por Lula com a sigla "CPX", uma abreviação de "complexo", fazia referência ao crime.