Mais de 50% dos latinos apoiam legalização da maconha

A maioria dos latino-americanos consideram que o narcotráfico aumentou nos últimos cinco anos e que há mais drogas nas ruas

A maioria dos latino-americanos consideram que o narcotráfico aumentou nos últimos cinco anos e que há mais drogas nas ruas, segundo uma pesquisa de opinião publicada nesta terça-feira, na qual mais da metade dos entrevistados se pronunciaram pela "maconha legal".

Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Observatório Latino-Americano de Políticas de Drogas e Opinião (OPDOP) do centro de análises Asuntos del Sur, uma entidade independente de reflexão sobre políticas públicas (www.asuntosdelsur.org).

Segundo o estudo, que reúne respostas de quase 9.000 pessoas em nove países da região (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, Peru e Uruguai), 67% estimam que o tráfico de drogas aumentou nos últimos cinco anos. Por sua vez, 75% acreditam que há mais drogas disponíveis.

Neste contexto, o informe aponta que "em nível regional" quando as pessoas são consultadas sobre a afirmação "a maconha deveria ser legal", 2,83 dizem estar de acordo em uma escala de 5, onde 1 é a menor aprovação e 5 a maior.

Na região, acrescenta o documento, Bolívia e El Salvador são os países estudados nos quais a população tem maior reticência em relação à legalização. O Chile é o país com maior aprovação deste tipo de medidas.

Neste sentido, o mecanismo de regulação da maconha adotado no Uruguai, que permite o cultivo para consumo próprio e busca estabelecer um sistema de distribuição de maconha sob a égide do Estado, recebe um apoio médio de 2,33 em 5, inferior ao obtido no ano passado no mesmo estudo.

Segundo Eduardo Vergara, um dos fundadores do Observatório responsável pela pesquisa, existem consensos na região que reconhecem "que os enfoques proibitivos não foram bem-sucedidos em terminar com o problema (das drogas ilícitas), mas que, pelo contrário, contribuíram para fortalecê-lo".