52% dos brasileiros têm ao menos uma doença crônica, aponta IBGE

Ana Paula Blower
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Foto: Pixabay
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RIO - No Brasil, 52% dos indivíduos de 18 anos ou mais têm ao menos uma doença crônica — física ou mental. A informação faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), levantamento IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, cujos dados mais recentes são de 2019. Segundo o levantamento, a doença com maior incidência de diagnósticos foi a hipertensão, seguida por problema crônico de coluna e depressão. A diabetes apareceu em quarto lugar.

Atualmente, doenças crônicas são um dos principais problemas de saúde pública do Brasil, com impactos na qualidade de vida, nos serviços de atendimento e, às vezes, causando incapacidades.

Segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira (18), todas as doenças analisadas tiveram aumento desde 2013, ano da última PNS.

A pesquisadora da Fiocruz Celia Landman analisa que os resultados da PNS são de "fundamental importância" diante do cenário atual, com processo de envelhecimento na população brasileira, o que muda o perfil de mortalidade, com as doenças crônicas passando a constituir problema de muita relevância.

Por isso, ela explica, o aumento na prevalencia de doenças crônicas já era algo esperado, já que elas têm relação direta com a faixa etária: quanto mais alta, maior a incidência.

— Além de ter mais informações sobre essas doenças, precisamos ter as prevalências nos últimos anos, como mostra a pesquisa, porque servem para dimensionar as necessidades de saúde pública do país e orientar o planejamento da oferta de serviços — comenta Landman. — O risco de desenvolver doenças crônicas não transmissíveis podem ser drasticamente reduzidos pela adoção de hábitos saudáveis, como prática de atividade física e alimentação saudável.

Também conhecida popularmente como pressão alta, a hipertensão atingiu 23, 9% das pessoas em 2019. Há seis anos, a taxa era de 21, 4%. A proporção aumenta de acordo com a idade: 56,6% das pessoas de 65 a 74 anos afirmaram terem recebido este diagnóstico, e 62,1% entre a população com 75 ou mais.

A educação também parece ter influência neste fator, já que a maior porcentagem de pessoas com hipertensão não têm instrução ou têm o fundamental incompleto. Além disso, a maioria dos pacientes foi atendido nos serviços públicos de saúde: 66,4% haviam realizado sua última consulta há menos de um ano nas unidades do SUS.

A quantidade de pessoas com depressão no Brasil também aumentou nos últimos seis anos. Em 2013, a doença atingia 7,6% da população adulta. No ano passado, a taxa subiu para 10,2%, ou 16 milhões de pessoas.

As mulheres são as principais afetadas: 14,7% delas disseram ter depressão, contra 5,1% dos homens.

A região Sul do país apresentou a maior taxa da doença, seguida pela Sudeste e Centro-Oeste. Para se ter uma ideia das disparidades, o Pará, o estado com menos incidência, teve 4,1% de diagnósticos e o Rio Grande do Sul, 17,9%. A maioria (47,4%) das pessoas com depressão se consultaram em consultórios particulares ou clínicas privadas.

Especialista em Saúde Pública, Ligia Bahia explica que as doenças crônicas representam um impacto "imenso" porque afeta desde o desempenho laboral até a vida amorosa, considerando entre as doenças crônicas a alta prevalência de depressão.

— Para o sistema de saúde é relevante definir políticas que, de fato, reduzam os riscos que causam as doenças crônicas desde propiciar contato entre mães e bebês até como controlar os alimentos ultraprocessados — argumenta a professora da UFRJ.

Landman acrescenta que o aumento na prevalência de depressão pode ser explicado por uma melhora nos diagnósticos, o que ela considera um fator positivo:

— Com um diagnóstico precoce, pode aumentar a qualidade de vida e há uma diminuição das hospitalizações desnecessárias — afirma a pesquisadora, chamando atenção para o fato de que crescimento de diagnósticos também pode acarretar em mais pessoas sofrendo de questões associadas, como sobrepeso.