Mais de 60 mortos em nova chacina na região sudanesa de Darfur

Sudaneses em 10 de outubro de 2019 no povoado de Shataya, situado a 150 km de Niayla, capital da região de Darfur, no oeste de Sudão

Cerca de 500 homens armados mataram 60 pessoas depois de invadir um povoado habitado por agricultores de tribos africanas na região sudanesa de Darfur, para onde o novo governo enviará tropas a fim de deter a violência endêmica.

É o incidente mais sangrento de uma série de atos violentos cometidos desde a semana passada em várias partes de Darfur, oeste do Sudão, onde por anos as tribos nômades árabes e os agricultores tribais africanos entraram em conflito por terra e água.

Segundo a ONU, cerca de 500 homens armados atacaram a cidade de Masteri, a 48 quilômetros da capital da província de El Geneina, no oeste de Darfur, no sábado, matando mais de 60 pessoas, a maioria da comunidade Masalit. Outras 60 pessoas ficaram feridas.

Várias casas no norte, sul e leste da cidade foram saqueadas e queimadas, assim como metade do mercado local, informou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em Cartum.

"Este é o mais recente de uma série de sete incidentes violentos entre 19 e 26 de julho, que deixaram dezenas de mortos e feridos, além de várias cidades e casas incendiadas, além de danificar mercados e lojas" nesse estado, informou a ONU.

Segundo a organização internacional, "essa espiral de violência em diferentes partes de Darfur causa deslocamento da população e põe em risco a estação agrícola", que coincide com a das chuvas.

Nos cinco estados de Darfur, 2,8 milhões de pessoas passam fome. Dessas, 545.000 vivem em Darfur Ocidental.

No sul de Darfur, homens armados mataram pelo menos 20 camponeses na sexta-feira, quando retornavam aos seus campos após mais de 15 anos de ausência, segundo um chefe tribal local.

Esses camponeses assassinados haviam sido autorizados a voltarem para suas terras graças a um acordo celebrado há dois meses com aqueles que se estabeleceram ali durante o conflito em Darfur. O governo mediou esse acordo.

- Minorias marginalizadas -

O Conselho de Defesa e Segurança, o mais alto órgão de segurança do país, se reuniu para tratar da situação.

"Devemos usar a força para proteger os cidadãos e suas propriedades. As forças de segurança serão deslocadas de Cartum para regiões onde ocorrem distúrbios a fim de garantir a segurança dos moradores", disse o ministro do Interior do Sudão, Eltrafi Elsdik, em comunicado.

Este conflito, que eclodiu em 2003 entre o regime de maioria árabe de Omar al Bashir e os insurgentes das minorias étnicas que se consideravam marginalizadas, causou centenas de milhares de mortes e milhões de pessoas deslocadas, segundo a ONU.

Nos últimos anos, diminuiu de intensidade. Em 2019, o autocrata Omar al Bashir foi derrubado pelo exército sob pressão de manifestantes.

O novo governo, formado após um acordo entre os militares e os líderes dos protestos, entrou em negociações em outubro de 2019 para um acordo de paz com grupos rebeldes com o objetivo de acabar com os conflitos no Darfur, Kordofan do Sul e o Nilo Azul.

No entanto, a violência endêmica persiste devido a conflitos relacionados à terra, segundo Adam Mohamad, especialista na região.

"A questão da terra é uma das causas do conflito e permanece assim porque, durante a guerra, os camponeses fugiram de suas terras e aldeias para irem aos acampamentos e os nômades os substituíram e se estabeleceram ali", explicou à AFP.

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