62% veem pandemia fora de controle, e cresce intenção de se vacinar, aponta Datafolha

ANA BOTTALLO
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People are seen at the entrance of the Vinte Oito de Agosto Public Hospital, a unit treating people infected with the novel coronavirus COVID-19, in Manaus, Amazonas State, Brazil, on January 4, 2021. - The coronavirus has killed at least 1,843,631 people worldwide since the outbreak emerged in China in December 2019, according to an AFP tally on Monday based on official sources. The US is the worst-affected country with 351,590 deaths, followed by Brazil with 196,018. (Photo by Michael DANTAS / AFP) (Photo by MICHAEL DANTAS/AFP via Getty Images)
62% veem pandemia fora de controle. Foto': Getty Images

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O número de pessoas que pretendem se vacinar contra a Covid-19 no Brasil aumentou, ao mesmo tempo em que 62% da população afirma que a pandemia está fora de controle. É o que mostra pesquisa Datafolha realizada em 20 e 21 de janeiro.

Segundo o instituto, 33% dos entrevistados acham que a doença está em parte controlada, e só para 3% ela foi totalmente controlada.

Foi a primeira vez que a pergunta foi feita, então não é possível estabelecer comparações com outros momentos. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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Como contraponto a esse sentimento de desalento, cresce a esperança nos imunizantes como solução para a crise.

A intenção de tomar a vacina cresceu seis pontos percentuais desde a última pesquisa, em dezembro. Agora, 79% dizem querer se imunizar, contra 73% no mês passado.

O número ainda é inferior à parcela de 89% da população que pretendia se vacinar contra o coronavírus em pesquisa feita em agosto.

A rejeição às vacinas caiu na mesma proporção, passando de 22% em dezembro para 17% agora --número ainda distante dos 9% que disseram não pretender tomá-la em agosto. O número de pessoas que responderam não saber se vão se vacinar oscilou de 5% para 4%.

A pesquisa foi realizada por telefone, para evitar contato pessoal com os entrevistados. Foram ouvidos adultos que possuem celular em todas as regiões e estados do Brasil.

Entre os entrevistados, há diferenças na intenção de se vacinar nas diferentes faixas etárias e de renda mensal.

Os que mais querem ser imunizados são os que têm acima de 60 anos (88%) e os com renda de cinco a dez salários mínimos (81%). Os jovens de 25 a 34 anos são os que menos pretendem se vacinar, com apoio de 74% dos entrevistados. A rejeição também é maior quanto menor a renda --18% não querem a vacina na faixa que recebe até dois salários mínimos.

Para aqueles que avaliam o governo Bolsonaro como ruim ou péssimo, 88% dizem querer se vacinar. Já entre os que o consideram ótimo ou bom, esse índice cai para 68%.

Além do aumento da aceitação às vacinas, a pesquisa apontou também o crescimento de pessoas que relatam ter medo de se infectar pelo coronavírus, de 73% para 77%.

São 44% que dizem ter muito medo de se contaminar e 33% um pouco. O percentual no início da pandemia de pessoas com muito medo de contrair o coronavírus era de 38%.

A parcela daqueles que responderam que nunca têm medo de contrair o vírus caiu de 24% para 16%.

Os números retornam aos patamares de junho do ano passado, auge da preocupação com a pandemia, quando 78% diziam ter medo de se infectar pela Covid-19.

Os números são divulgados em um momento de alta de casos e de óbitos em todo o país. Na última quarta-feira (20), o Brasil teve o maior número de mortes por Covid-19 desde maio, com 1.382. Foram registrados, até a sexta-feira (22), 8,7 milhões de casos e mais de 215 mil mortes.

As duas vacinas aprovadas para uso emergencial até o momento pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) são a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, que a produzirá no Brasil, e a da Universidade de Oxford/AstraZeneca, que será feita no país pela Fiocruz.

A rejeição à vacina de origem chinesa, primeira a ser aplicada, caiu em relação à última pesquisa: antes, 50% dos entrevistados diziam que não tomariam um imunizante vindo do país asiático, e agora são 39%. Aumentou também a aceitação da Coronavac, passando de 47% em dezembro para 58% agora.

Embora tenha sido alvo da disputa entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo João Doria (PSDB) pela vacinação contra a Covid-19, a confiança na Coronavac não foi a única que aumentou. Fenômeno parecido ocorreu com produtos de outros países.

As mais populares continuam sendo as vacinas produzidas nos Estados Unidos e no Reino Unido (respectivamente a da Pfizer e a da Oxford/AstraZeneca), com 78% e 75% de aceitação.

Mas a vacina russa Sputnik V também teve mais pessoas dispostas a tomá-la nessa rodada do Datafolha, aumentando a aceitação de 60% para 66%.

Não houve, porém, mudança quanto àqueles que se posicionam favoravelmente (55%) ou contrários (44%) à vacinação obrigatória, ficando dentro da margem de erro da pesquisa anterior.

A pesquisa apontou ainda que o distanciamento social continua baixo. Apenas 7% dos entrevistados afirmaram estar totalmente isolados em casa, enquanto 53% dizem sair de casa para trabalhar e fazer outras atividades não essenciais.

Embora este número seja muito similar ao indicado na última pesquisa, em dezembro, a mudança do comportamento das pessoas em relação ao distanciamento é clara em relação a agosto, quando havia um empate entre o percentual de pessoas que afirmavam ir à rua só quando inevitável (43%) e as que saíam de casa para trabalhar e outras atividades (44%).

À época, o país vivia uma estabilidade, que foi seguida por uma breve desaceleração da pandemia, com a queda dos números de casos e óbitos registrada por quatro semanas, em setembro.

No entanto, os números da Covid-19 voltaram a crescer no final do ano, impulsionados por eventos e aglomerações, como as festas de final de ano, apesar das recomendações contrárias de especialistas. Com isso, foi necessário o aumento das restrições de mobilidade em diversos locais.