68 crianças morrem em explosão na Síria após terem sido atraídas por caminhão cheio de comida

Omar Haj Kadour / AFP

Ao menos 125 sírios, incluindo 68 crianças, que estavam sendo retirados das localidades sitiadas e leais ao regime sírio morreram no atentado com uma caminhonete-bomba realizado no sábado (15) contra um comboio de ônibus.

O alto número de crianças é motivado, de acordo com a BBC, com o fato do caminhão usado no ataque ter distribuído batatas fritas para atrair pessoas. Com isso, muitas crianças acabaram ficando próximas ao local no qual aconteceu a explosão.

O ataque é um dos mais violentos em mais de seis anos de guerra. Os mortos eram em maioria moradores dos vilarejos de al-Foua e Kefraya, na província de Idlib, mas incluíam combatentes rebeldes que realizavam a segurança do comboio.

No local, ficaram os ônibus carbonizados e, ao lado de uma cratera, uma caminhonete, provavelmente a utilizada no ataque, completamente destruída.

“Houve uma enorme explosão”, conta Mayssa al Aswad, de 30 anos, que estava sentada em um ônibus com seu bebê de seis meses e sua filha de dez anos no momento do atentado. “A morte pode te surpreender em alguns minutos”, acrescentou.


Poucas horas depois do ataque, os comboios de pessoas retiradas retomaram o caminho para chegar a seu destino final.

O regime sírio acusou pelo atentado os “grupos terroristas”, termo utilizado pelo governo para designar rebeldes e extremistas. Não houve reivindicação de responsabilidade pelo ataque e a principal oposição armada da Síria condenou o ataque a bomba, com grupos lutando sob a bandeira do Exército Livre da Síria descrevendo-o como um “ataque terrorista traiçoeiro”.

O secretário-geral adjunto de assuntos humanitários e coordenador dos serviços de emergência da ONU, Stephen O’Brien,

disse estar “horrorizado” por este ataque “monstruoso e covarde”. Seus autores “demonstraram uma descarada indiferença pela vida humana”, ressaltou.

A operação de retirada, que também abarca milhares de habitantes das localidades rebeldes de Madaya e Zabadani, perto de Damasco, começou na sexta-feira. Mais de 7.000 pessoas já deixaram as quatro localidades.

Com Folhapress