7 de setembro: Bolsonaro desinformou em discursos a apoiadores no Rio e em Brasília

undefined

Jair Bolsonaro em comemoração aos 200 anos da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022, em Brasília (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)
Jair Bolsonaro em comemoração aos 200 anos da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022, em Brasília (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)

<

  • 7 de setembro: Na comemoração do bicentenário da Independência, Jair Bolsonaro participou de eventos em Brasília e no Rio de Janeiro

  • Em seus discursos, o presidente falou sobre preço da gasolina, "ideologia de gênero", insegurança alimentar e corrupção

  • Contudo, ele mencionou dados falsos ao tratar dos assuntos

Na última quarta-feira (7), data em que foi comemorado o bicentenário da Independência do Brasil, o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) participou de atos com seus apoiadores em Brasília (DF) e no Rio de Janeiro (RJ).

Em seus pronunciamentos nos dois locais, o presidente abordou temas que vem repetindo também em seus discursos de campanha. Contudo, o mandatário se baseou em informações falsas, algumas delas já reproduzidas anteriormente.

Confira a checagem do Yahoo! Notícias sobre as falas de Jair Bolsonaro no último 7 de setembro.

Preço da gasolina

"Eis que o Brasil ressurge com [...] uma gasolina das mais baratas do mundo"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), em discurso em Brasília, em 7 de setembro de 2022

A gasolina brasileira não está classificada como uma das mais baratas do mundo. De acordo com uma listagem do preço da gasolina em diferentes países da Global Petrol Prices, referente a 5 de setembro de 2022, o combustível brasileiro é o 36º mais barato, com uma média de R$ 5,25 por litro.

O Brasil está atrás de países como Bolívia (R$ 2,79), Colômbia (R$ 2,87), Rússia (R$ 4,32) e Argentina (R$ 5,22). Os valores utilizados na comparação são referentes a 5 de setembro de 2022.

"Ideologia de gênero"

"Somos uma pátria [...] que não admite a ideologia de gênero"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), em discurso em Brasília, em 7 de setembro de 2022

O termo "ideologia de gênero" vem sendo utilizado há alguns anos no Brasil por representantes da bancada evangélica e da extrema-direita para se referir a questões sobre gênero e sexualidade.

Nesse sentido, uma pesquisa realizada em março deste ano pelo Datafolha identificou que 66% da população concorda totalmente que as "escolas devem promover o direito das pessoas viverem livremente sua sexualidade, sejam elas heterossexuais ou LGBTs". Além disso, outros 15% concordam em parte com a afirmação.

Sendo assim, a alegação de Bolsonaro não se sustenta com base na pesquisa de opinião pública.

Jair Bolsonaro em comemoração aos 200 anos da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022, em Copacabana, no Rio de Janeiro (Foto: AFP via Getty Images / Ivan Pacheco)
Jair Bolsonaro em comemoração aos 200 anos da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022, em Copacabana, no Rio de Janeiro (Foto: AFP via Getty Images / Ivan Pacheco)

<

Segurança alimentar

"Garantimos a nossa segurança alimentar"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), em discurso no Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 2022

A segurança alimentar não está garantida no Brasil. No final de 2020, 55,2% dos domicílios brasileiros tinham moradores com algum grau de insegurança alimentar, de acordo com dados da Rede PENSSAN (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional). Eram 116,8 milhões de pessoas sofrendo com o problema, sendo que 19 milhões passavam fome.

No último ano antes de Bolsonaro assumir a presidência, em 2018, a insegurança alimentar atingia cerca de 37%, de acordo com a Rede.

No mesmo sentido, uma pesquisa da FGV Social revelou que o número de pessoas em situação de insegurança alimentar passou de 17% em 2014 para 30% em 2019, primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro.

Agravada pela pandemia de covid-19, a insegurança alimentar subiu para 36% em 2021. O número levou o Brasil a superar pela primeira vez a média global de 35%.

Corrupção no governo

"Nosso governo trata o povo com respeito. Repito, três anos e meio sem corrupção"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), em discurso no Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 2022

Desde o início da gestão de Bolsonaro, membros do alto escalão do governo têm sido apontados como suspeitos em esquemas de corrupção.

Marcelo Álvaro Antônio foi denunciado em outubro de 2019 – quando ainda era ministro do Turismo – por envolvimento no caso de candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais. Em dezembro ele foi demitido do cargo.

Em 2021, a PF (Polícia Federal) identificou indícios de envolvimento do então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles em um possível esquema de exportação ilegal de madeira.

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso preventivamente pela PF em junho deste ano. Ribeiro é suspeito de liderar um gabinete paralelo que liberava verbas da Educação para municípios por meio do pagamento de propina.

Os discursos de Jair Bolsonaro em Brasília e no Rio de Janeiro também foram verificados pelo Aos Fatos.