85% dos evangélicos consideram pecado atacar a natureza, segundo pesquisa

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Foto: Jorge William / Agência O Globo

SÃO PAULO – A Bíblia diz no livro Números, capítulo 35, versículo 34: “Não contaminem a terra onde vocês vivem e onde eu habito". E os evangélicos brasileiros parecem levar isso a sério: 85% consideram pecado atacar a natureza, segundo uma pesquisa feita pela agência Purpose.

O levantamento foi realizado entre 24 de agosto e 4 de setembro com 2 mil pessoas que se declaram protestantes históricos, pentecostais ou neopentecostais. Entre os pesquisados,82% concordam que um crime contra a natureza é um pecado contra Deus e 84% que destruir a natureza é um pecado grave.

Amanda da Cruz Costa, integrante da Igreja Bola de Neve e mobilizadora da rede Youth Climate Leaders, concorda:

— A natureza revela quem Deus é. Se eu quero ver Deus, se quero ter um relacionamento com ele, preciso cuidar da natureza, porque é uma das formas como ele se expressa.

A pesquisa também apontou que 67% dos entrevistados por telefone acreditam que é importante preservar o meio ambiente, com 77% deles dizendo-se favoráveis que suas igrejas apoiem atividades em prol da defesa da natureza. Esses números apontam que, diferentemente dos EUA, o ambientalismo não é um assunto polarizado entre os evangélicos brasileiros.

— Existe uma tentativa de polarizar, principalmente por parte do governo Jair Bolsonaro – diz Bruna Galvão, coordenadora de campanhas na Purpose Climate Labs. — Mas, no Brasil, não é uma pauta vista como exclusiva da esquerda. Não é como nos Estados Unidos, onde é vista como algo liberal.

Na verdade, mesmo entre os que consideram o governo Bolsonaro ótimo e bom, 60% desaprovam suas ações em relação ao meio ambiente. Confrontadas com algumas das medidas tomadas ou ideias defendidas pelo governo, as respostas costumam ser negativas. Apenas 11% concordam totalmente ou concordam em acabar com multas ambientais de quem desmata ou queima a floresta, e apenas 9% acham bom o fim de áreas protegidas e demarcadas, como comunidades indígenas e quilombolas.

Animadas com os resultados, algumas lideranças evangélicas decidiram formar a coalizão Evangélicos pelo Clima, que já conta com mais de 30 nomes e organizações. Para Amanda da Cruz Costa, que mora na Brasilândia, periferia de São Paulo, e integra a frente, é uma chance de levar essa pauta para todos os cantos do Brasil, numa linguagem que as pessoas entendam.

— Chegar na igreja e falar “Bora combater a crise climática!” é muito inatingível. A galera não entende a urgência desse tema. A cada 23 minutos, um corpo preto tomba no Brasil. Como vou falar de clima sem ter a certeza de que vou estar viva? — diz Costa. — Mas, se eu não falar de clima, não vou conseguir trazer isso para a quebrada. O desafio se torna traduzir essa linguagem de forma popular. A agenda climática está muito elitizada.

Jovem Embaixadora da ONU e articuladora de várias organizações, Costa e outras lideranças envolvidas no projeto estão otimistas quanto ao poder de mobilização:

— A gente tem diferentes denominações, mas quando a comunidade evangélica está engajada, a gente consegue colocar nossas pautas e influenciar o futuro da nação.

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