96% dos professores brasileiros têm orgulho da profissão, mostra pesquisa

*ARQUIVO* SAO PAULO/ SP, BRASIL, 14.03.2022.   Salas no Predio da FFLCH . USP retoma aulas presencias nesta segunda e mantém obrigatório o uso de máscara em todos os ambientes  (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO/ SP, BRASIL, 14.03.2022. Salas no Predio da FFLCH . USP retoma aulas presencias nesta segunda e mantém obrigatório o uso de máscara em todos os ambientes (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Respeito e justiça são as competências mais relevantes para o exercício da profissão de professor, aponta monitoramento inédito feito pelo Instituto Ayrton Senna com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) sobre competências socioemocionais com professores.

Realizado com profissionais da rede estadual paulista em maio e junho do ano passado, o monitoramento mostrou que 96% dos professores têm orgulho da profissão e que mais de 90% sentem-se animados por trabalhar com estudantes e felizes quando se conectam com eles. As informações são da Agência Brasil.

O levantamento também apontou que os educadores querem ajudar os estudantes a lidar com suas emoções e que gostariam de ter apoio para seu desenvolvimento socioemocional, especialmente no autocontrole emocional e na colaboração entre pares. Educadores de toda a rede estadual puderam responder ao formulário da pesquisa, com preenchimento voluntário em formato online.

Para o vice-presidente de Expansão e Relações Institucionais do Instituto Ayrton Senna, Roberto Campos de Lima, a educação já tinha desafios muito importantes do ponto de vista da qualidade, quando veio o fechamento das escolas por causa da pandemia de covid-19.

“Com o período de escolas fechadas, obviamente, o impacto ficou maior, e uma das coisas que começaram a aparecer foi o desenvolvimento socioemocional do estudante. Mas, como discutir o desenvolvimento socioemocional do estudante sem discutir o desenvolvimento do próprio professor?", questionou Lima.

Respostas vieram das perguntas que o Instituto Ayrton Senna fez a quase 43 mil professores. "Por exemplo, a ideia de grande maioria sente orgulho da profissão, que é importante, já que o senso comum tem um entendimento distinto desse”, disse o vice-presidente do Instituto Ayrton Senna.

A iniciativa mapeou ainda como os professores identificam suas próprias competências socioemocionais no âmbito escolar, com o objetivo de fortalecer o autoconhecimento e apoiar o desenvolvimento pleno dos profissionais da educação.

Mais de 95% concordaram que as 18 competências apresentadas pelo estudo são importantes ou extremamente importantes para as práticas do professor, e mais de 90% dos participantes disseram fazer o seu melhor para ajudar os estudantes a lidar com emoções, reconhecendo a relevância dessa dimensão no ambiente escolar, conforme previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Quando questionados sobre quais competências em que mais gostariam de ter apoio da rede para desenvolver, quase 60% indicaram o autocontrole emocional (que ajuda a manter o equilíbrio para lidar com emoções negativas e desafios da rotina escolar).

Em segundo lugar, quase 50% dos educadores apontaram a colaboração entre pares (definida como habilidade para formar rede de apoio entre os próprios professores, disposição para interagir e aprender com as abordagens pedagógicas dos outros, por meio da troca de experiências). Em terceiro lugar, com quase 44%, o gerenciamento de estresse.

“O panorama para nós é importante, já que, ao longo desses quase 27 anos, o Instituto Ayrton Senna sempre atuou enxergando o professor como parte fundamental da equação para transformar a educação brasileira. Mas, para isso, é preciso trabalhar entendendo esse sonho e quais são seus desafios”, disse o vice-presidente da instituição.

A partir dos dados, o instituto pretende apoiar o professor no desenvolvimento de tais habilidades. “A partir dos territórios, por exemplo, passaremos a fazer agora intermediado por tecnologia, para acessar cada vez mais professores. Esse movimento de competências do professor, passará a ser feito conosco a partir da plataforma Humane [Centro de Formação de Educadores]", afirma Lima.

Uma plataforma aberta e gratuita com experiências digitais de desenvolvimento da organização, o Centro de Formação de Educadores (Humane) foi lançadas às 17h desta quinta-feira. A iniciativa foi resultado de diversas frentes de trabalho para promover o fortalecimento de educadores de todo o país, que englobam pesquisas, estudos, implementações em políticas públicas, jornadas formativas e, agora, oferece também novos insumos.

De acordo com o Instituto, o foco é apoiar os educadores que querem se conectar com o a educação do século 21 por meio de experiências de desenvolvimento na sala de aula ou nos demais âmbitos de atuação. Ainda segundo a entidade, o objetivo é ser um elo entre profissionais da educação interessados em aprender, ensinar, compartilhar e cocriar experiências de desenvolvimento para fortalecer práticas, carreiras e, consequentemente, a educação brasileira.

Além da plataforma, debates serão intensificados para auxiliar o professor na criação de seu próprio plano de desenvolvimento. “Vamos intensificar os debates, como esse que nós vamos fazer hoje, trazendo nomes como Maria Helena Guimarães, Mozart Neves e Raquel Teixeira, para debater a centralidade do desenvolvimento do professor, para que ele tenha boas referências. Mas, o professor como protagonista de uma maneira personalizada”, completou Lima.

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