Ação de Crivella na Linha Amarela pode prejudicar economia do país, diz associação de construtoras

Henrique Gomes Batista
O prefeito Marcelo Crivella

SÃO PAULO - A utilização de retroescavadeiras para destruir praças depedágio na Linha Amarela, protagonizada no domingo pela gestão de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, tem potencial concreto para prejudicar a economia do país. Essa é a opinião de Gabriel AidarAbouchar, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), que reúne as grandes empreiteiras do país. De acordo com ele, o Brasilprecisa ampliar a segurança jurídica de modo a atrair investimentos, para que a economia volte a crescer e gerar empregos.— Isso afeta a segurança jurídica e a credibilidade do país,afeta o setor de concessões, que é uma das apostas do país para atrairinvestimentos e crescer — afirmou Abouchar. — O que o prefeito do Rio fez foialgo indigno, despropositado, pode ser uma tragédia para a cidade.Abouchar afirma que é preciso avaliar juridicamente o caso com cuidado, mas que a destruição de patrimônio de concessão sem apoio legal pode até gerar um debate sobre o impeachment do prefeito. Em sua opinião, divergências contratuais devem sempre seremresolvidas no Judiciário, e não com a destruição de ativos.A ação do prefeito,na noite de domingo, coincide com um momento em que protestos se espalham pelaAmérica Latina, em países como Chile, Equador e Bolívia, o que faz osinvestidores ficarem mais receosos com a região.— Mas acredito que este é um caso isolado. Isso nuncaaconteceu antes e é lamentável. Espero que isso fique restrito ao Rio — disse ele, ao ser questionado sobre o risco da atitude de Crivella ampliar aresistência de brasileiros aos pedágios, algo que foi diminuindo ao longo dosanos. — Em São Paulo, principalmente, e em todo o Brasil o cenário é muitodiferente, eles estão trazendo investimentos. O prefeito do Rio precisa seredimir disso.Ele afirma, contudo, que o cenário para a infraestrutura noBrasil é positiva, com projetos de concessão, privatização, parceriaspúblico-privadas, leilões de petróleo e uma melhora lenta das contas públicas,após a aprovação da reforma da Previdência. Em sua opinião, há muitointeresse de investidores estrangeiros no país.— O setor de construção é o primeiro a sentir a crise e oprimeiro a se recuperar. Tivemos os quatro piores anos de nossa História. Em2019 devemos crescer menos de 1%, em 2020, algo em torno de 1,5%. Só devemosrecuperar um crescimento mais significativa em 2021 — disse o presidente daAbemi.