Ação da Polícia Civil e do MP mira traficantes que juntos atuam em cidades do Sul, Costa Verde e até em Ilha Grande

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RIO — A Polícia Civil e o Ministério do Público do Rio, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) realizam desde o início da manhã desta quarta-feira uma grande operação no Sul Fluminense e na Costa Verde para prender 87 pessoas — 67 homens e 20 mulheres — de uma quadrilha de traficantes da maior facção do RJ que atua de forma articulada em vários municípios, com atividades criminosas até em Ilha Grande, e que começa a romper as fronteiras do estado. Além disso, foram expedidos 112 mandados de busca e apreensão contra os criminosos. A operação foi batizada de Futebol Clandestino por conta do nome de um dos grupos de WhatsApp descobertos pelos investigadores com dezenas de bandidos, onde interceptações mostraram que eles tratavam abertamente sobre compra e distribuição de drogas, armas, munições, materiais de endolação, e também trocavam informações sobre alvos, que eram na maioria das vezes policiais e traficantes de facções rivais. Até a última atualização no início da tarde, 36 mandados de prisão já tinham sido cumpridos. Pelo menos 16 deles já estavam na cadeia.

— A operação Futebol Clandestino conta com cerca de 250 policiais de todos os departamentos da Polícia Civil, agentes da Seap e agentes do Gaeco. Em investigações desenvolvidas pela 90ª DP, de Barra Mansa, , 87 traficantes e cinco adolescentes relacionados ao trafico de drogas foram identificados, e contra eles foram expedidos os respectivos mandados de prisão — conta o delegado Ronaldo Aparecido Brito, titular da delegacia. — Também foram expedidos diversos mandados de busca e apreensão para diversos locais. Esses traficantes vinculados a uma facção criminosa estão espalhados em cidades de Barra Mansa, Volta Redonda, Resende, Porto Real, Quatis, Barra do Piraí, Angra dos Reis, Búzios e uma cidade do estado de Minas Gerais.

A investigação começou em Barra Mansa, mas, após quebras de sigilo de dados de celulares apreendidos com criminosos presos na região, a polícia descobriu uma estruturada organização criminosa que atuava em várias cidades do Sul Fluminense e de Angra dos Reis. As mensagens, áudios e ligações interceptados reforçaram a violência dos criminosos, que encomendavam a morte de devedores, traficanes rivais e policiais que atuam naquelas regiões. Segundo o Gaeco, ao todo, a operação conta com seis núcleos de atuação em Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí, Angra dos Reis, Resende e Rio.

A denúncia feita pelo MPRJ mostra que a liderança do grupo criminoso em Barra Mansa é exercida por Emiliano de Melo, vulgo Favela, que coordena o fluxo de venda de drogas em diferentes localidades, junto com o filho, o denunciado Alan Lucas Eurico de Melo, vulgo Al. Em Volta Redonda, o grupo é liderado por Thiago Cláudio Duarte Chagas, vulgo Thiago Cabeça, segundo os promotores, responsável por coordenar todas as ações adotadas pelos outros integrantes, inclusive o assassinato de usuários devedores e de outros traficantes. Em Barra do Piraí, um dos responsáveis pelo bando é Igor Machado Trindade. A denúncia cita ainda integrantes do tráfico em Resende, Angra dos Reis, na região da Ilha Grande, e na Vila Kennedy, na capital, comunidade apontada pelos investigadores como fonte de drogas para as favelas da Região Sul Fluminense.

Além do grupo "Futebol Clandestino", que deu nome à ação, os investigadores da Polícia Civil e do MPRJ também tiveram acesso a outros grupos ainda maiores no WhatsApp onde criminosos tratavam sobre toda sorte de ações criminosas da quadrilha. A denúncia cita, por exemplo, um grupo batizado pelos criminosos de "Sul Fluminense", que contava com mais de 150 integrantes do tráfico de várias cidades do Sul do Rio. Outros grupos descobertos eram usados por traficantes de cidades ou bairros específicos. Outros eram usados pelos chefes das quadrilhas, dentre eles, segundo o MP, um chamado "Controle Pó de 50", onde os cabeças do bando trocavam informações e faziam a contabilidade da quadrilha.

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