Ação no Salgueiro: laudos não apontam ferimentos de facas em suspeitos mortos, diz Polícia Civil

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RIO — A Polícia Civil informou na manhã desta quarta-feira que a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Maricá e Itaboraí (DHNSGI) recebeu os laudos de necrópsia dos nove mortos na operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Complexo do Salgueiro, no último domingo. Segundo a instituição, “os resultados dos laudos apontam que as mortes foram provocadas por projéteis de arma de fogo (PAFs), sem indícios de facadas ou outro tipo de arma com ação cortante ou perfurocortante”, destacou o comunicado.

Ainda de acordo com a Civil, projeteis foram encontrados nos corpos de três das vítimas. Os objetos foram arrecadados e passarão por confronto balístico. A Polícia Civil informou ainda que “as armas dos policiais militares que participaram da ação e a lista dos nomes dos agentes devem ser entregues ainda nesta quarta-feira”.

Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, denunciam que durante a operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na localidade das Palmeiras, no último fim de semana, policiais militares invadiram casas, agrediram moradores e até usaram um espaço de festas como bunker – entre sábado e domingo – para fazer churrasco e consumir bebidas alcoólicas. A operação terminou com nove suspeitos mortos e ficou marcada pela cena de moradores retirando corpos de um mangue da comunidade. Após as denúncias das supostas invasões, moradores temem possíveis represálias dos agentes que teriam entrado no local e permanecido lá por quase 24 horas.

A informação das invasões das casas foi divulgada nesta quarta-feira pela “Folha de São Paulo” e confirmada pelo O GLOBO. A associação de moradores do Complexo do Salgueiro confirmou o suposto fato e afirmou que a “invasão dos PMs foi uma arbitrariedade e um abuso de autoridade". Jaqueline da Silva, presidente da associação de moradores do Salgueiro, disse que o local supostamente arrombado pelos militares é um espaço de festas da comunidade. Ela critica a atuação dos PMs.

– Os moradores contaram que eles passaram o dia lá. Ali é um espaço de festas particular. As pessoas alugam para festas. Eles entraram, beberam e comeram o que tinha lá dentro. Inclusive, teriam feito churrasco e consumiram a bebida alcoólica do local – conta a presidente da associação, que destaca:

– Com medo o dono não registrou o boletim de ocorrência. Infelizmente, aquilo foi um abuso de autoridade e não pode ficar assim.

Procurada, a Polícia Civil afirmou que nenhum morador registrou boletim de ocorrência e que “se de o fato aconteceu, caberá a Corregedoria da PM investigá-lo”. A Civil destacou que esse é um crime militar. A Polícia Militar informou que “até o momento não recebeu nenhum registro formal sobre o fato”. A corporação pediu para que os moradores denunciem o caso à Corregedoria da PM pelo telefone pelo número (21) 2725-9098 ou ainda pelo e-mail denuncia@cintpm.rj.gov.br. A instituição garante que o anonimato é garantido.

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