Ação do Supremo contra general preocupa ex-comandante do Exército

THAIS BILENKY
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Ação do Supremo contra general preocupa ex-comandante do Exército

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ex-comandante do Exército e hoje assessor especial do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Eduardo Villas Bôas se disse preocupado com a operação da Polícia Federal nesta terça-feira (16) que teve entre os alvos o general da reserva Paulo Chagas (PRP-DF). "Conheço muito o general Paulo Chagas, é um amigo pessoal meu. Confesso que estou preocupado e vamos acompanhar os desdobramentos disso", afirmou Villas Bôas depois de uma homenagem ao Exército na Câmara. Ele se disse em alerta com "as restrições que o Paulo Chagas possa estar sofrendo.  É um homem de bem". Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, o general da reserva tem feito críticas ácidas aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) na internet. A operação desta terça foi ordenada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, como parte do inquérito sobre ataques à corte. São ao todo dez mandados, e há ações em Brasília e em São Paulo. Moraes determinou o bloqueio de contas em redes sociais pertencentes a sete pessoas investigadas. Segundo o ministro, Chagas, que foi candidato ao governo do Distrito Federal em 2018, é suspeito de "postagens nas redes sociais de propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política e social, com grande repercussão entre seguidores". Villas Bôas trabalha no Palácio do Planalto com o general Augusto Heleno, ministro do GSI, e se tornou uma referência nas Forças Armadas. Ele afirmou que "não cabe distinguir militar ou não militar, e sim cidadãos" ao analisar o impacto da ação e eventuais restrições da liberdade de expressão. "Insisto. [Militares e civis] estão sujeitos aos mesmos deveres e prerrogativas", observou. O ex-comandante afirmou desconhecer "o que motivou o ministro Alexandre de Moraes nesse sentido, mas tenho certeza de que a própria Justiça vai colocar no devido lugar após apurar o que aconteceu". Villas Bôas elogiou Moraes, com quem disse ter "excelente relacionamento". "Conheço a trajetória dele e acho um homem com grande senso de justiça. Por isso acho que rapidamente esse problema vai ser resolvido." O ex-comandante condenou os ataques do escritor Olavo de Carvalho aos militares de forma geral e aos generais do governo como o vice-presidente, Hamilton Mourão, e o ministro da Secretaria de Governo, Santos Cruz. "Eu mesmo já fui alvo de críticas comparáveis de baixo calão por parte do Olavo de Carvalho", lembrou Villas Bôas. "Acho extremamente lamentável uma pessoa inteligente e culta que se desqualifica pela maneira como se expressa. A partir daí, ele não deve ser levado em consideração." Questionado sobre disputas entre as alas militar e ideológica no governo, o general discordou da premissa. "Há uma interpretação que absolutamente não corresponde à verdade de que há uma ala militar dentro do governo. No dia a dia, não se processa, não se configura assim", respondeu. "Estão lá os militares, cada um desempenhando a sua função, integrados plenamente à equipe de governo. Não há nenhum tipo de divisão dentro do palácio."

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ex-comandante do Exército e hoje assessor especial do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Eduardo Villas Bôas se disse preocupado com a operação da Polícia Federal nesta terça-feira (16) que teve entre os alvos o general da reserva Paulo Chagas (PRP-DF).

"Conheço muito o general Paulo Chagas, é um amigo pessoal meu. Confesso que estou preocupado e vamos acompanhar os desdobramentos disso", afirmou Villas Bôas depois de uma homenagem ao Exército na Câmara.

Ele se disse em alerta com "as restrições que o Paulo Chagas possa estar sofrendo.  É um homem de bem".

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, o general da reserva tem feito críticas ácidas aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) na internet.

A operação desta terça foi ordenada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, como parte do inquérito sobre ataques à corte. São ao todo dez mandados, e há ações em Brasília e em São Paulo.

Moraes determinou o bloqueio de contas em redes sociais pertencentes a sete pessoas investigadas.

Segundo o ministro, Chagas, que foi candidato ao governo do Distrito Federal em 2018, é suspeito de "postagens nas redes sociais de propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política e social, com grande repercussão entre seguidores".

Villas Bôas trabalha no Palácio do Planalto com o general Augusto Heleno, ministro do GSI, e se tornou uma referência nas Forças Armadas. Ele afirmou que "não cabe distinguir militar ou não militar, e sim cidadãos" ao analisar o impacto da ação e eventuais restrições da liberdade de expressão.

"Insisto. [Militares e civis] estão sujeitos aos mesmos deveres e prerrogativas", observou.

O ex-comandante afirmou desconhecer "o que motivou o ministro Alexandre de Moraes nesse sentido, mas tenho certeza de que a própria Justiça vai colocar no devido lugar após apurar o que aconteceu".

Villas Bôas elogiou Moraes, com quem disse ter "excelente relacionamento".

"Conheço a trajetória dele e acho um homem com grande senso de justiça. Por isso acho que rapidamente esse problema vai ser resolvido."

O ex-comandante condenou os ataques do escritor Olavo de Carvalho aos militares de forma geral e aos generais do governo como o vice-presidente, Hamilton Mourão, e o ministro da Secretaria de Governo, Santos Cruz.

"Eu mesmo já fui alvo de críticas comparáveis de baixo calão por parte do Olavo de Carvalho", lembrou Villas Bôas. "Acho extremamente lamentável uma pessoa inteligente e culta que se desqualifica pela maneira como se expressa. A partir daí, ele não deve ser levado em consideração."

Questionado sobre disputas entre as alas militar e ideológica no governo, o general discordou da premissa.

"Há uma interpretação que absolutamente não corresponde à verdade de que há uma ala militar dentro do governo. No dia a dia, não se processa, não se configura assim", respondeu.

"Estão lá os militares, cada um desempenhando a sua função, integrados plenamente à equipe de governo. Não há nenhum tipo de divisão dentro do palácio."