Ações da Petrobras se recuperam após tombo por temor de interferência do governo

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O presidente Jair Bolsonaro em compromisso oficial no Palácio do Planalto, em 23 de fevereiro de 2021

As ações da Petrobras tiveram uma leve recuperação nesta terça-feira (23), um dia depois de terem despencado 20% após o anúncio de que o governo de Jair Bolsonaro mudaria o presidente da empresa.

As ações preferenciais fecharam com alta de 12,17% e as ordinárias com um avanço de 8,96%, aliviando as perdas registradas na segunda-feira, equivalentes a R$ 74 bilhões do valor de mercado da empresa.

O Ibovespa fechou em alta de 2,27% e atingiu 115.227 pontos.

O mercado acompanhou de perto uma reunião do Conselho de Administração da Petrobras, nesta terça-feira, que analisou a indicação, por Bolsonaro, do general da reserva Joaquim Silva e Luna para presidir a estatal. O pregão foi encerrado sem que houvesse uma decisão.

Pouco depois, o Conselho de Administração da estatal concluiu a reunião e convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), ainda sem data, para destituir o atual presidente, Roberto Castello Branco, e analisar o indicado por Bolsonaro para o cargo, informou a Petrobras em comunicado.

Bolsonaro anunciou na sexta-feira ter escolhido Silva e Luna, ex-ministro da Defesa, para substituir Roberto Castello Branco, um economista visto com bons olhos pelo meio financeiro.

A mudança reacendeu temores de que o presidente possa decidir interferir na política de preços da empresa, de olho na reeleição no ano que vem.

A manobra gerou novas turbulências na relação entre o presidente e o setor empresarial, que o apoiou em 2018, seduzido por suas promessas de reformas a favor do mercado e de políticas liberais.

- Privatizações "a todo vapor" -

Na tentativa de mostrar seu compromisso com essas reformas, Bolsonaro foi pessoalmente nesta terça-feira ao Congresso para entregar um decreto provisório, com o qual pretende acelerar o debate sobre a privatização da Eletrobras, estatal responsável pela geração e distribuição de energia elétrica no país.

"Nossa agenda continua a todo vapor. Nós queremos, sim, enxugar o Estado, diminuir o tamanho do mesmo para que nossa economia possa dar uma satisfação, possa dar a resposta que a sociedade precisa", garantiu o presidente ao lado dos líderes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira, dois aliados-chave para que as propostas avancem no plenário.

Bolsonaro também reafirmou seu apoio ao ministro da Economia, Paulo Guedes, homem de confiança do meio financeiro.

Ao anunciar na sexta-feira a decisão de nomear Silva e Luna, Bolsonaro negou querer interferir na política de preços da Petrobras, apesar de criticar os recentes aumentos nos preços do combustível no país.

"Nós não temos uma briga com a Petrobras. Nós queremos sim que, cada vez mais, ela possa nos dar transparência e também previsibilidade. Não precisamos esconder reajustes ou seja lá o que for o que integra o preço final dos combustíveis", declarou o presidente nesta terça-feira.

Em 2021, a Petrobras aumentou os preços dos combustíveis quatro vezes, com um aumento acumulado de 34,78%. Isso irritou os caminhoneiros, que ameaçaram fazer uma greve como a que paralisou o país por vários dias em 2018.

O Brasil, maior economia da América Latina, está entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo, com 3,67 milhões de barris por dia em 2019.

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