Ações da Petrobras voltam a cair, após declaração de Bolsonaro sobre política de preços na véspera

O Globo
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RIO — As ações da Petrobras voltaram a cair nesta quinta-feira, após as declarações do presidente Jair Bolsonaro, na véspera, sobre a possibilidade de mudanças na política de preços da estatal. A queda, de mais de 1%, vai na contramão da Bolsa, que sobe nesta manhã.

Por volta das 10h40, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) caíam 1,09% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto) tinham queda de 0,92%.

No mesmo horário, o Ibovespa tinha alta de 0,19%, aos 117.844 pontos, refletindo o desempenho de outras ações, como as da mineradora Vale.

Ontem, em visita a Foz do Iguaçu (PR), Bolsonaro chamou de "inadmissível" o aumento de 39% no preço do gás natural vendido pela Petrobras às distribuidoras e disse que poderia "mudar essa política de preços lá".

A fala levou as ações da Petrobras a perder, no fim do dia de ontem, os ganhos ao longo do pregão.

O presidente tem criticado a política de preços da empresa, o que acabou levando à troca de comando da companhia. O nome do novo presidente da Petrobras será analisado em assembleia de acionistas no dia 12 de abril.

Enquanto isso, as ações ordinárias da Vale (VALE3) subiam 0,54%. Empresas do setor siderúrgico repetem movimentos de alta, já vistos em outros dias. As preferencias da Usiminas (USIM5) têm alta de 3,58% e as ordinárias da Siderugica Nacional (CSNA3), de 2,58%.

As ordinárias da Cielo (CIEL3) também são destaque, após parceria da empresa com o Google para digitalização de pequenas e médias empresas no Brasil. A alta era de 3,52%.

Já o dólar começou o dia em queda. A moeda devolve parte do avanço na véspera, influenciada por um clima de maior apetite para o risco no exterior, após o Federal Reserve, banco central americano, reforçar as expectativas de maior liquidez em ata divulgada no dia anterior.

A divisa americana era negociada a R$ 5,57, queda de 1,09%.

A baixa dos juros dos títulos do Tesouro americano de dez anos, na casa do 1,65%, também contribui para a queda da moeda, pois estimula os investidores a tentar maiores ganhos em mercados emergentes, como o brasileiro.

Orçamento e jantar de Bolsonaro

No cenário interno, os agentes de mercado seguem de olho nas tratativas em Brasília sobre o Orçamento para 2021.

Após sinalizações de que o imbróglio poderia ser resolvido até o fim desta semana, governo e Congresso voltaram a se distanciar.

O Executivo foi alertado pela cúpula do Congresso que, se insistir em vetar todas as emendas parlamentares que inflaram o projeto, pode ter que lidar com retaliações, como a perda de apoio em votações de interesse para o Planalto.

Além disso, em um parecer técnico, o Tribunal de Contas da União (TCU) pediu mais informações ao Ministério da Economia e da Casa Civil. O documento, no entanto, não aponta medidas a serem feitas, tampouco indica quem deve ser o relator do processo.

Em jantar na casa de Washington Cinel, dono da empresa Gocil, do setor de segurança, Bolsonaro recebeu cobranças para acelerar a agenda de reformas, bem como o processo de vacinação.

De acordo com falas de presentes à reunião ao GLOBO, o presidente disse acreditar que o Congresso vai aprovar as reformas enviadas pelo governo. E repetiu algumas vezes que a pandemia não pode levar o Brasil à miséria total.

Bolsas no exterior

As bolsas europeias operam com altas nesta quinta-feira, na primeira oportunidade de reagir a ata do Fed, que manteve a defesa de uma política de juros baixos.

Nesta quinta, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde destacou que a pandemia pesará sobre o crescimento econômico da zona do euro nos próximos meses. Mas que os riscos de longo prazo diminuem, com o crescimento podendo ser retomado assim que as medidas de isolamento forem suspensas.

Na ata da reunião do mês passado, divulgada hoje, as autoridades do BCE concordaram em aumentar a compra de títulos neste trimestre, como parte de seu programa de compras emergenciais durante a pandemia.

Segundo o documento, esta medida foi apoiada como positiva para conter a alta dos juros do mercado e da inflação.

Por volta de 09h35, a Bolsa de Londres subia 0,45%. O índice CAC 40, da Bolsa de Paris, avançava 0,42% ao passo que Frankfurt cedia 0,02%.

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, teve queda de 0,07%, com o recrudescimento de casos de coronavírus no Japão. Em compensação, Hong Kong teve alta de 1,16% e na China, houve avanço de 0,08%.