Ações da XP caem 13% após suposta fraude contábil

Leo Branco

SÃO PAULO – As ações da corretora XP na Nasdaq, a bolsa de tecnologia de Nova York, fecharam em queda de 13% nesta sexta-feira (6) após uma acusação de fraude contábil levantada pelo escritório de advocacia americano Block & Leviton.

De acordo com o escritório, os números de auditorias internas da XP não batem com demonstrações financeiras fornecidas a investidores no prospecto da oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês). Feito em dezembro do ano passado, o IPO da XP na Nasdaq levantou US$ 2,25 bilhões em capital.

A origem da desconfiança dos advogados do Block & Leviton está num relatório publicado nesta sexta-feira pelo site de investigações The Winkler Group, especializado em fraudes financeiras. Entre as irregularidades na XP, segundo o relatório, estão a supervalorização de ativos em R$ 44 milhões, além de discrepâncias de R$ 167 milhões no fluxo de caixa e métodos contábeis questionáveis para reduzir o pagamento de impostos.

Em nota, a assessoria de imprensa da XP ponderou que "no mercado norte-americano é comum que companhias abertas sejam acionadas por escritórios de advocacia que visam ingressar com ações coletivas (class action) para tentar buscar acordos financeiros". Segundo a empresa, durante o IPO a XP passou pelo escrutínio de quatro escritórios de advocacia "reconhecidos mundialmente" e duas das maiores firmas de auditoria do mercado.

Além disso, diversos investidores institucionais de classe mundial auditaram a XP. "A companhia reforça seu total compromisso de transparência com seus clientes e investidores", diz a empresa, para quem o relatório "contém diversos erros e possui pontos que são imateriais ou irrelevantes". Não há, por ora, nenhuma investigação ou processo contra a XP.