Ações individuais superam empresas na doação de alimentos

Pedro Zuazo
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RIO - Dezenas de sacolas com alimentos se acumularam ontem em um canto da sala de vacinação do Jockey Club, na Gávea. A cena se repetiu em outros postos da cidade, que em menos de duas semanas já recolheram nove toneladas de doações para a campanha Rio Contra a Fome. Essa mobilização é reflexo de uma tendência que dá novo vigor à onda solidária durante a pandemia: esforços individuais da classe média carioca para aplacar a fome dos mais necessitados já superam as doações de grandes empresas.

É o que mostram números recentes do Movimento União Rio, que reúne 73 ONGs da Região Metropolitana: de março a julho de 2020, 33% das doações vinham da sociedade civil e 67%, de pessoas jurídicas. Já em março deste ano, a proporção se inverteu: no mês passado, o empenho individual respondeu por 73% do total doado, enquanto as empresas ajudaram com 27% das 8.289 cestas entregues.

— Houve uma queda nas doações e agora temos uma ascensão que foi puxada por esforços individuais. Vemos, de fato, uma mobilização das pessoas, mas as empresas ainda não voltaram ao volume de doações de antes — diz Andrea Gomides, fundadora do instituto Ekloos, que integra o Movimento União Rio.

Campanha cresce nas ruas

Embora o país enfrente o pior momento da pandemia, as doações caíram cerca de 90%, segundo ONGs. No caso da União Rio, uma única empresa que no ano passado doou R$ 800 mil, este ano contribuiu com R$ 50 mil.

O impacto também foi sentido no estoque da Ação da Cidadania, fundada por Herbert de Souza. Segundo Daniel de Souza, filho do sociólogo, a ONG distribuiu no mês passado 8 mil cestas básicas, dez vezes menos do que entregou no mesmo período do ano passado. O resultado também contou com uma maior participação dos esforços individuais.

— No início da pandemia, as doações da classe média representavam 20% do total, enquanto as empresas respondiam por 80%. Hoje, as pessoas físicas já representam 35% do volume doado — diz Daniel, que faz um alerta às empresas. — Além da solidariedade, que é o principal, existe uma questão de mercado. O Brasil hoje tem 116 milhões de pessoas com algum grau de insegurança alimentar.

Coordenadora do programa de segurança alimentar Mesa Brasil Sesc/RJ, Cida Pessoa convoca as pessoas a doarem.

— A fome é uma situação contra qual devemos nos indignar. Quem pode ajudar não pode parar — apela.

Idealizador da campanha Rio Contra a Fome, que arrecada alimentos em postos de vacinação, o secretário municipal da Juventude, Salvino Oliveira, comemora os resultados da iniciativa:

— As pessoas têm se engajado muito e já nos primeiros dias a campanha mostrou que o carioca é um povo muito solidário.

Saiba onde e como ajudar

Campanha “Rio Contra a Fome”:

Alimentos não-perecíveis podem ser doados nos mais de 250 pontos de vacinação da cidade.

União Rio:

No site movimentouniaorio.org, além da doação, o benfeitor pode escolher o destino do dinheiro: de ativação de leitos em hospitais à compra de alimentos.

Ação da Cidadania:

As orientações para doações estão no site: acaodacidadania.org.br. São aceitas contribuições via cartão de crédito, PayPal e boleto.

Campanha “Tem gente com fome”:

Criada para arrecadar fundos para ações emergenciais contra a fome em todo país, campanha recebe doações no site: temgentecomfome.com.br.

Capuchinhos:

Igreja na Tijuca recebe doações de cestas básicas. Informações: (021) 22047900 e (21) 982472737.