Aécio emperra chapa de Zema, e governador deve buscar vice do próprio partido

*ARQUIVO* BELO HORIZONTE, MG, BRASIL,  8-04-2021, 10:30h.  Governador Romeu Zema em seu gabinete. Foto do Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, para entrevista para a Folha de S. Paulo. (Alexandre Rezende/Folhapress)
*ARQUIVO* BELO HORIZONTE, MG, BRASIL, 8-04-2021, 10:30h. Governador Romeu Zema em seu gabinete. Foto do Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, para entrevista para a Folha de S. Paulo. (Alexandre Rezende/Folhapress)

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), deverá buscar alguém de seu próprio partido para ser candidato a vice nas eleições de outubro. Inicialmente, a escolha do chefe do Executivo mineiro era pelo jornalista Eduardo Costa (Cidadania), mas pressões do PSDB do estado travaram a indicação.

Na segunda-feira (2), Costa anunciou que não fará parte da chapa e atribuiu a decisão ao deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). Isso porque o PSDB e o Cidadania formam uma federação partidária e tal indicação precisaria do aval das duas siglas.

O Novo via o jornalista como estratégia para conseguir votos em Belo Horizonte -onde o principal adversário de Zema na disputa, Alexandre Kalil (PSD), foi prefeito.

Segundo Costa, para aceitar a composição da chapa os tucanos exigiram ao Novo que o sucessor de Zema em 2026 fosse filiado ao partido. Em outra frente, o PSDB teria indicado o deputado federal Paulo Abi-Ackel ao cargo de vice na disputa deste ano. O Novo não aceitou.

"Não preciso de foro privilegiado e nem de mandato político. Todo mundo sabe que se eu me candidatasse a deputado federal, teria grandes chances de ganhar", disse o jornalista em um vídeo publicado em sua conta no Instagram.

Costa apresenta um programa na rádio Itatiaia, emissora mais ouvida do estado. Até junho, também ancorava o jornal matinal da Record TV Minas, mas foi afastado dias depois de confirmar que cogitava aceitar o convite de Zema.

Na semana passada, foi chamado de inexperiente por Kalil. "Tem que chupar muita laranja no vestiário", afirmou o ex-prefeito de Belo Horizonte.

No vídeo de segunda, Costa disse não ser possível conviver com Aécio.

"Não tenho memória curta. Eu lembro daquela história da mala de dinheiro", afirmou em referência ao pedido de R$ 2 milhões feito pelo deputado ao empresário Joesley Batista, da JBS. O deputado, inicialmente acusado de corrupção passiva e obstrução de Justiça, foi absolvido em março.

Em nota, o PSDB disse que "na política nem sempre as coisas ocorrem da forma como imaginamos e esperamos" e classificou a fala do jornalista como "oportunista".

À reportagem Abi-Ackel disse que seu partido nunca propôs acordos para 2026. "Isso é absolutamente irreal. Na política, todo mundo sabe que não se faz entendimento para eleições daqui quatro anos. É como combinar o casamento sem conhecer a noiva", afirma.

Ele também descarta que o nome de Aécio tenha sido cogitado nas negociações. "Ele não precisa do Novo para ser candidato", afirmou, em referência ao suposto interesse do deputado em concorrer ao Senado.

Aécio não descarta a candidatura e deve anunciar, na quinta (4), o cargo para o qual concorrerá. Zema apoia o deputado federal Marcelo Aro (PP) no pleito ao Senado.

Oficialmente, a explicação do PSDB mineiro é que o partido tem candidato próprio ao governo do estado e que isso já havia sido acordado antes mesmo da federação partidária com o Cidadania.

O escolhido pelos tucanos, o ex-deputado federal Marcus Pestana, porém, aparece com 1% dos votos em pesquisa feita pelo Datafolha ainda no início de julho.

"A visão 'vitória pela vitória' é muito estreita para um partido que tem uma grande história em Minas. Seria um raciocínio político bitolado", disse Abi-Ackel sobre a decisão de manter a candidatura.

Seja como for, o consenso de quem participou das negociações para a chapa de Zema é de que o PSDB quer retomar o legado do partido no estado e alavancar o nome de Aécio.

O vice-governador do estado, Paulo Brant, é filiado ao PSDB, mas foi descartado pelo Novo como candidato à reeleição ainda no início do ano.

O presidente do Cidadania mineiro, o deputado estadual João Vítor Xavier, propõe que o partido apoie a reeleição de Zema, ao invés da candidatura de Pestana. A decisão, porém, precisa ser referendada em convenção junto com o PSDB, o que torna o desejo muito difícil de ser realizado.

"Fomos submetidos a uma federação nacional contra a nossa vontade. Entendemos que essa perda de autonomia seria ruim para a gente. Se não tivéssemos federados, já estaríamos na rua, trabalhando e pedindo voto", disse à reportagem.

O fato é que com a desistência de Costa, o Novo deve concorrer com chapa pura ao governo.

O favorito é o atual secretário-geral do estado, Mateus Simões. Apesar da escolha inicial de Zema, esse inclusive era o principal desejo da ala do partido que não defende coligações. Simões foi eleito vereador de Belo Horizonte em 2016, mas deixou o cargo para compor o governo Zema em 2020.

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