Aécio rebate Fernández e diz que os que vieram de barco terão que voltar nadando se situação ruim na Argentina continuar

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*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 21.08.2019 - O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 21.08.2019 - O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em resposta ao presidente da Argentina, Alberto Fernández, que disse nesta quarta-feira (9) que os mexicanos vieram dos indígenas, os brasileiros, da selva, e os argentinos, de barcos originários da Europa, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) criticou a administração do país vizinho.

"Nós convivemos muito bem com nossas origens e nossa história. Já os que vieram de barco, se perdurar por muito mais tempo a situação atual no seu país, vão ter que voltar nadando, pois sequer barcos existirão mais", disse o tucano, presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Fernández fez sua fala em encontro com o premiê da Espanha, em Buenos Aires. Ele argumentou que seu sobrenome, Fernández, era prova dessa ligação originária da Argentina com a Europa.

O líder argentino acreditava fazer menção a uma frase incorretamente atribuída ao escritor mexicano Octavio Paz (1914-1998), Nobel de literatura em 1990, em que ele teria discorrido sobre a raiz asteca dos mexicanos e a origem inca dos peruanos. Fernández, porém, confundiu-se, e a frase é na verdade parte de uma canção do compositor Litto Nebbia.

Figuras públicas e políticas argentinas com frequência cometem o que a imprensa local costuma chamar de "gafe". A frase racista, no entanto, revela um traço cultural profundo que minimiza ou mesmo nega a raiz mestiça da população argentina, pensamento presente desde o século 19 entre intelectuais e governantes importantes.

Nesta tarde, Fernández pediu desculpas a quem se se sentiu ofendido e disse ter orgulho da diversidade argentina.