A cada cinco gestantes ou puérperas com covid-19, uma não teve acesso a UTI

Anita Efraim
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First moments with the baby and the excitement of being a family or parents
Mais de 700 mulheres grávidas ou no puerpério morreram de covid-19 (Foto: Getty Images)
  • Uma a cada cinco gestantes ou puérperas com covid-19 não conseguiram leito de UTI

  • 738 mulheres gestantes ou puérperas morreram em decorrência da covid e há suspeita de subnotificação

  • Levantamento é do Observatório Obstétrico Brasileiro COVID-19

A cada cinco gestantes ou puérperas diagnosticadas com covid-19, uma não tem acesso a um leito de terapia intensiva. Os dados são do Observatório Obstétrico Brasileiro COVID-19 (OOBr Covid-19). 

Entre as que conseguiram ser internadas, cerca de 34% não puderam ser intubadas. 

Segundo o levantamento, entre março de 2020 e 7 de abril de 2021, 9.479 mulheres grávidas ou que pariram recentemente foram internadas com covid. Entre elas, 738 morreram, índice de 7,78%. 

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Além dos casos confirmados, há ainda 9.784 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Entre elas, 250 mulheres grávidas ou puérperas morreram. Para os pesquisadores, podem se tratar de vítimas da covid-19 não diagnosticadas. 

O OOBr-19 foi recém lançado, com o objetivo de dar visibilidade à saúde de gestantes ou puérperas. O grupo é formado por Rossana Pulcineli Vieira Francisco (docente do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente da SOGESP), Agatha Rodrigues (docente do Departamento de Estatística da UFES) e Lucas Lacerda (estudante de graduação em Estatística na UFES).

Falta de medicamentos do kit intubação 

Diversos estados brasileiros já informaram que estão com falta de medicamentos que fazem parte do kit intubação. E o Ministério da Saúde está com a reserva desses remédios praticamente zerada. Por isso, a pasta está tentando comprar doses dos medicamentos necessários – mas enfrenta dificuldades.

Uma nota técnica do Ministério da Saúde do último dia 12, revelada pelo Estadão, mostra que a pasta tentou comprar remédios suficientes para seis meses. No entanto, só conseguiu adquirir 17% do contingente planejado.

Na última quarta-feira (14), a Secretaria de Saúde de São Paulo enviou um ofício ao Ministério alertando para a falta de medicamentos. Segundo Jean Gorinchteyn, titular da pasta em SP, alertou para o fato de que hospitais poderiam ficar sem os remédios necessários para manter pacientes intubados.

Os medicamentos são usados para que os pacientes com covid-19 não sintam dor durante o processo de intubação. Sem os remédios, eles podem tentar arrancar o tubo, mesmo de forma involuntária.

Também na quarta-feira, o ministro Marcelo Queiroga afirmou que a pasta receberia mais lotes de medicamentos em até 10 dias. Segundo o Estadão, o governo federal está sem estoque de nove medicamentos que integram o kit intubação. Outros dez remédios estão no fim.