A Copa América de um imperador: detalhes táticos da seleção alternativa que derrotou a Argentina em 2004, no Peru

Por André Frehse Ribas (@Andre_Frehse)

Há exatos 15 anos, a seleção Brasileira, com um gol salvador de Adriano nos acréscimos e uma vitória sofrida nos pênaltis, derrotava a Argentina e conquistava a Copa América do Peru em 2004, em um dos jogos mais celebrados pelo povo brasileiro.

Hoje o Yahoo Esportes irá relembrar e analisar esse feito, destacando os detalhes táticos daquela seleção que, mesmo com vários desfalques, fez história na competição.

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No dia seis de junho de 2004, o técnico Carlos Alberto Parreira convocou os 22 jogadores que disputariam a competição no Peru. Na lista, o treinador resolveu poupar grandes estrelas da seleção, que tiveram uma temporada europeia desgastante. Nomes como: Dida, Cafu, Roberto Carlos, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo não fizeram parte do grupo que viajou. Com isso, Parreira deu oportunidade a atletas que vinham sendo reservas nas eliminatórias e a alguns jogadores do futebol brasileiro. Uma seleção B na Copa América.

Lista de convocados:

(Foto: Conmebol)


Goleiros: Júlio César (Flamengo) e Fábio (Vasco).
Laterais: Mancini (Roma, Itália), Maicon (Cruzeiro), Gustavo Nery (São Paulo) e Gilberto (São Caetano).
Zagueiros: Bordon (Sttutgart, Alemanha), Cris (Cruzeiro), Juan (Bayer Leverkusen, Alemanha) e Luisão (Benfica, Portugal).
Meias: Dudu Cearense (Kashiwa Reysol, Japão), Renato (Santos), Kléberson (Manchester United, Inglaterra), Edu (Arsenal, Inglaterra), Diego (Santos), Júlio Baptista (Sevilla, Espanha), Alex (Fenerbahçe, Turquia) e Felipe (Flamengo).
Atacantes: Adriano (Internazionale, Itália), Ricardo Oliveira (Valencia, Espanha), Vágner Love (Palmeiras) e Luís Fabiano (São Paulo).

O grupo do Brasil na competição tinha: Chile, Costa Rica e Paraguai. Em seu primeiro desafio, a seleção venceu, com facilidade, a equipe chilena por 2 a 0 e mostrou algumas de suas ideias na competição. No segundo, goleou a Costa Rica e, no último jogo, perdeu para o Paraguai.

Brasil 2 x 0 Chile

Brasil 4 x 1 Costa Rica

Brasil 1 x 2 Paraguai

A base titular, no primeiro jogo, foi formada por: Júlio Cesar, Mancini, Luisão, Juan e Gustavo Nery; Dudu, Renato, Alex e Edu; Luís Fabiano e Adriano. No segundo desafio, Kléberson assumiu o lado direito e Renato tomou conta da posição de primeiro volante. Maicon, no decorrer da competição, ganhou a vaga de Mancini na lateral-direita.

(Foto: Montagem)


A base que, na maioria dos jogos, foi titular na Copa América.

Com uma preparação de apenas 10 dias, e com uma média de idade de 24 anos, as incertezas eram grandes em relação ao grupo. No campo, se viu um time em formação, mas com aspectos interessantes. Um 4-3-1-2 com e sem a bola, com um losango no meio. Um primeiro volante, dois meias abertos e Alex centralizado, com os dois centroavantes mais à frente.

O objetivo da seleção era claro: ser vertical em suas ações. Com uma saída em 4 +1, como você pode ver abaixo, a equipe buscava passes longos, tentando acionar os atacantes para o pivô ou para saírem em velocidade, um jogo mais direto.

(Foto: Reprodução)


A saída de bola da seleção. Passes diretos eram os mais frequentes.

Os laterais, Maicon (Mancini) e Nery, ficavam próximos da linha da bola, prontos para atacar o espaço no lado em que a jogada evoluía. Os meias, Kléberson e Edu, auxiliavam nas combinações pelos lados e também ao apoio pelo meio. Em alguns momentos, Edu também auxiliava na saída de bola.

O camisa 10, Alex, buscava o passe-chave, o toque para quebrar a marcação adversária e deixar os atacantes em condições de marcar. Um losango móvel e com trocas de posição.

Luís Fabiano e Adriano formavam a dupla de ataque. Um mais fixo e outro vindo por dentro, tentando ajudar o meio para abrir espaços na defesa adversária, com o objetivo de desencaixar as marcações.

(Foto: Montagem)


O losango do meio. Muita movimentação e trocas de posição. Neste jogo, Renato atuou pelo lado (em boa parte) e Dudu como primeiro volante.

Nos primeiros jogos, a seleção teve problemas na construção. Muito pela falta de entrosamento entre os jogadores. A saída não era qualificada. Com isso, a bola chegava ao ataque e já voltava, sem evoluir.

Aos poucos, ganhando em entrosamento, a equipe foi se acertando, mesmo sem fazer grandes atuações. Adriano brilhou dentro da área. Alex virou elemento crucial. Foi o cara das bolas paradas e deu seis assistências na competição.

Sem a bola, o time também adotava um 4-3-1-2, com um bloco médio/baixo. Renato ficava à frente da zaga, Kléberson e Edu auxiliam os laterais pelos lados. Alex, Adriano e Luís Fabiano ficavam mais soltos, prontos para a transição ofensiva.

A marcação era por zona, mas com encaixes setorizados. A última linha realizava perseguições a fim de evitar que o adversário conseguisse receber a bola em profundidade. A defesa enfrentou problemas na bola aérea, sofrendo alguns gols no torneio.

Após a primeira fase, a seleção, que passou em segundo lugar no seu grupo, viu pela frente México e Uruguai. Passou com facilidade pelo time mexicano, vencendo por 4 a 0. Contra a seleção Celeste, o Brasil saiu atrás, buscou o empate e, nos pênaltis, avançou à final do torneio.

Do outro lado da chave, a Argentina, com sua seleção principal, venceu seus confrontos e chegou ao desafio final: um duelo dificílimo contra o Brasil.

A Argentina, com sua marcação pressão, controlou o jogo e foi superior, criando as principais chances. Após pressionar a saída de bola do Brasil, os Hermanos abriram o placar em uma cobrança de pênalti.

Os comandados de Parreira, mesmo sem fazer um grande jogo, buscaram o empate. Alex cobrou falta, nos acréscimos do primeiro tempo, e Luisão cabeceou para igualar o placar.

Na segunda etapa, a Argentina seguiu ditando o ritmo e criando as melhores chances. Chegou ao seu segundo gol no final do confronto. Só que, nos últimos minutos, desconcentrou e começou a provocar a seleção brasileira.

O Brasil, apesar de não criar perigo, se manteve concentrado até o fim, mesmo com o gol sofrido. E, nos acréscimos, o dono da Copa América apareceu. Adriano marcou e levou o jogo para os pênaltis. Nas cobranças, a seleção canarinho brilhou e conquistou o título.

O rendimento não foi dos melhores, os sustos foram grandes, mas o Brasil, com uma seleção B, conquistou a América do Sul, revelou um imperador (artilheiro do torneio com sete gols) e deu asas ao Alex (seis assistências e um gol na Copa América).

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