À distância, família segue velório de modelo no Chile e pede Justiça dizendo que caso foi feminicídio e não suicídio

·2 minuto de leitura
À distância, família acompanhou sepultamento da modelo (Reprodução)

O corpo da modelo Nayara Vit, de 33 anos, foi sepultado nesta tarde de quinta-feira (22), no Cemitério Parque del Recuerdo Américo Vespúcio, em Santiago. Mesmo de forma remota, já que não foi autorizada a entrar no Chile por conta da pandemia da covid-19, a família acompanhou o velório em forte clima de tristeza e angústia. Com entraves no processo de investigação, a família cobra a justiça chilena.

Nayara caiu do 12º andar do apartamento em que vivia com o namorado, o empresário Rodrigo Del Valle Mijac, na noite de 7 de julho. A princípio, ele alegou que a modelo tentou suicídio, se jogando do apartamento. No entanto, a família contesta essa versão, já que Nayara não demonstrava sinais de depressão ou que queria tirar a própria vida.

A família e amigos não puderam acompanhar presencialmente a despedida, uma vez que o governo chileno impõe condições severas de isolamento de 14 dias na chegada do país, por conta da pandemia da covid-19. Abalada, a mãe da modelo, Eliane Vit, não quis dar entrevista.

A prima de Nayara, Flávia Falco, explica que tentaram de tudo para poder pelo menos estarem presentes ao velório. O rito, antes programado para o dia 14 de julho, foi suspenso, em virtude do pedido de nova autópsia do corpo pela polícia chilena.

“Conseguimos toda a liberação do Itamaraty, meu primo enviou até cartas. Mas o Chile, em si, não liberou sem a quarentena de 40 dias. Se tivesse sido desde o primeiro dia, daria tempo. Mas não sabíamos e meu primo tentou de todas as formas, até pedir PCR”, lamenta.

Assim como o velório, a reconstituição da morte da modelo também foi adiada na quarta-feira (22). Conforme o primo de Nayara, Sérgio Puga, o procedimento foi cancelado pois o promotor-chefe do caso, Omar Mérida, irá visitar o apartamento primeiro.

Sigilo gera dificuldades

Diante da série de impedimentos, a família está angustiada, explica Flávia Falco. “Precisamos de uma pressão maior no Itamaraty, pra polícia de lá dar informações pra gente, ficamos aqui extremamente angustiados. Ainda mais com a investigação toda em segredo de justiça”, desabafa.

Puga, por sua vez, conta que só recebe informações por meio do advogado da família, Cristian Cáceres. Ele foi contratado pelo ex-marido Nayara, Oscar Torrejon. “Ele está acompanhando o caso junto ao Ministério Público e ao Departamento de Investigações. E tem nos fornecido as informações diariamente”.

Falco, que é medica, até mesmo tentou analisar o laudo da autópsia da prima, porém, teve o pedido negado. “Eu tenho conversando bastante com o advogado do caso, o Christian Cáceres. Eu tentei acesso aos laudos médicos, porque sou médica. Mas está impossível”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos