A importância de "Heartstopper" e de finais felizes para a comunidade LGBTQIA+

Kit Connor e Joe Locke como Nick e Charlie de
Kit Connor e Joe Locke como Nick e Charlie de "Heartstopper" (Foto: Netflix)

Nunca vou esquecer. O ano era 2018, eu trabalhava em outro veículo de comunicação e, durante um papo pós-almoço, um colega (que também é gay) e eu falávamos sobre filmes e séries LGBTQIA+.

"Você deveria ver 'Me Chame Pelo Seu Nome'", eu disse. "Ai, mas o final é triste? Todo filme com gays é triste", ele me respondeu. Naquele instante, enquanto eu ria, tentava lembrar rapidamente de alguma produção com essa temática que não tivesse me deixado com o coração partido, desesperançoso. Nada. Parei de rir e fiquei reflexivo sobre o impacto disso na forma como nos relacionamos na vida real e até na nossa saúde mental.

Caso você não esteja muito familiarizado(a) com gênero, explico sem citar títulos para evitar spoilers: os protagonistas dificilmente (para não dizer nunca) ficam juntos. Quando um não morre, o outro decide ir para algum lugar distante. Tem também os que decidem continuar em um casamento de fachada por causa da família. As tramas envolvendo abuso sexual, homofobia e heterossexualidade compulsória? Prefiro nem falar sobre.

Corta para 2022. "Heartstopper", adaptação (muito fiel, diga-se de passagem) dos quadrinhos de Alice Oseman, estreia na Netflix. Dou o play e, depois de maratonar os oito episódios, meu coração não só estava intacto, como quentinho (não achei maneira melhor de descrever a sensação). Podemos simplesmente amar e ser amados, afinal. Quão importante, principalmente para os mais jovens, é ter uma referência como essa?

E não se engane, ok? A série é para todos (independentemente de orientação sexual e identidade de gênero) e não ignora questões como preconceito, autoaceitação e dificuldades na família. Está tudo lá. Mas a forma como Charlie e Nick se envolvem, se desenvolvem e, acima de tudo, se amam e se apoiam faz toda diferença. É o clichê que, aplicado aos grupos marginalizados, se torna original e necessário — basta ver a avaliação mais do que positiva da crítica especializada e do próprio público.

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