A menos de um mês do fim do mandato, Bolsonaro nomeia PM para Cultura

André Porciúncula, subsecretário de Incentivo e Fomento à Cultura (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
André Porciúncula, subsecretário de Incentivo e Fomento à Cultura (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) nomeou o policial militar André Porciúncula para a Secretaria Especial de Cultura. A nomeação acontece faltando menos de um mês para o fim do mandato de Bolsonaro. A pasta era comandada por Hélio Ferraz.

O PM foi subsecretário de Fomento da pasta e deixou o cargo para disputar uma vaga de deputado federal pelo PL da Bahia, mas ficou como suplente.

Após a derrota, Porciúncula voltou à pasta na vaga de secretário-adjunto.

Segundo informações do portal g1, durante uma convenção de um grupo pró-armas, em março deste ano, Porciúncula recomendou que os participantes usassem R$ 1,2 bilhão de recursos da Lei Rouanet para produzir conteúdo a favor da política armamentista.

Na ocasião, em um vídeo revelado pela Agência Pública, o PM argumentou que os projetos culturais sobre armas são necessários para "trazer a pauta" para dentro de um "discurso de imaginário".

Porciúncula defende filmes, podcasts, webséries que exaltem "a importância do armamento" para a "liberdade humana".

"R$ 1,2 bilhão estamos lançando agora de linha audiovisual. Que vocês podem usar para fazer documentário, filmes, webseries, podcasts. Para quê? Para trazer a pauta do armamento dentro de um discurso de imaginário. Trazer filmes sobre o armamento, da importância do armamento para a civilização, a importância do armamento para garantir a liberdade humana", afirmou.

Quando era subsecretário de Incentivo e Fomento à Cultura, Porciúncula gastou R$ 20 mil em dinheiro público numa viagem de cinco dias a Los Angeles, em janeiro deste ano. A viagem teve duas reuniões de trabalho.

Ainda de acordo com o portal do governo, o valor se divide, entre R$ 10 mil com passagens de ida e volta e R$ 10 mil com hospedagem. Havia outras pessoas na comitiva, mas o gasto de R$ 20 mil se refere exclusivamente a Porciúncula.

Além disso, ao lado de Mário Frias, Porciúncula, foi responsável por estabelecer novas regras da Lei Rouanet, que fomenta projetos artísticos.

Segundo ele, o formato anterior facilitava o desperdício de dinheiro público.