A pedido da PGR, Moraes manda abrir novos inquéritos para investigar atos golpistas

No pedido, a PGR cita crimes como terrorismo, golpe de Estado, associação criminosa e incitação ao crime

Alexandre de Moraes manda abrir novos inquéritos para investigar atos golpistas EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Alexandre de Moraes manda abrir novos inquéritos para investigar atos golpistas EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a pedidos da PGR (Procuradoria-Geral da República) e determinou a abertura de mais três inquéritos para investigar os envolvidos dos atos golpistas que depredaram as sedes dos Três Poderes no último dia 8.

Segundo informações do portal g1 divulgadas na manhã desta segunda-feira (23), os pedidos dos três novos inquéritos separam os futuros investigados pelo tipo de participação:

  1. Os financiadores;

  2. Os executores;

  3. Os autores intelectuais.

Nos três casos, há menção aos crimes de:

  • Terrorismo;

  • Associação criminosa;

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;

  • Golpe de Estado;

  • Ameaça;

  • Perseguição;

  • Incitação ao crime.

"Na data de 8 de janeiro de 2023, uma turba violenta e antidemocrática, insatisfeita com o resultado do pleito eleitoral de 2022, almejando a abolição do Estado Democrático de Direito e a deposição do governo legitimamente constituído, avançou contra a sede dos três Poderes da República, exigindo célere e enérgica resposta estatal", diz a PGR no pedido de inquérito.

E continua: "A escalada da violência ganhou contornos incompatíveis com o Estado de Direito, resultado na invasão e enorme depredação dos prédios do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal".

No dia 13 de janeiro, Moraes determinou a abertura de um inquérito contra o governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro (PL) Anderson Torres. A investigação, que também foi pedida pela PGR, apura eventual responsabilidade de autoridades nos atos golpistas.

Ainda conforme registro do portal g1, segundo a PGR, a divisão da investigação em quatro inquéritos é importante "para otimização de recursos investigatórios e para fins de adequada gestão das futuras ações penais".

Anderson Torres

Na última quarta-feira (18), Anderson Torres se recusou a falar com agentes da Polícia Federal (PF) durante seu depoimento. O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal ficou em silêncio durante toda a abordagem dos policiais no 4º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (Guará), onde ele está preso.

Torres é acusado de omissão nos atos terroristas do último dia 8 em Brasília, quando prédios dos Três Poderes foram invadidos e depredados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também agrediram policiais e jornalistas.

Durante o episódio, Anderson estava de férias em Orlando, nos Estados Unidos, e teria negligenciado a segurança na capital federal mesmo diante dos avisos dos manifestantes golpistas.